Carlos Bolsonaro já gastou R$ 713 mil com gráfica e empresa de comunicação durante campanha em SC

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Os pagamentos fazem parte da prestação de contas eleitoral e deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral dentro do procedimento próprio de fiscalização das campanhas. Foto Agencia Brasil/STF

Candidato a deputado federal em Santa Catarina destinou R$ 605,4 mil a gráfica de Saquarema, no Rio; empresa também recebeu R$ 1,58 milhão da campanha de Alexandre Ramagem em 2024

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), candidato a deputado federal por Santa Catarina nas eleições de 2026, já destinou aproximadamente R$ 713 mil de sua campanha a empresas de comunicação e impressão, segundo os registros de despesas eleitorais. A maior parcela, de R$ 605,4 mil, foi contratada junto à Exact Embalagens e Rótulos, empresa sediada em Saquarema, no estado do Rio de Janeiro.

A contratação chama atenção também pelo histórico da empresa com campanhas ligadas ao grupo político do candidato. Em 2024, quando disputou a reeleição para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro registrou R$ 221,7 mil em despesas com a mesma gráfica.

A Exact também foi fornecedora da campanha de Alexandre Ramagem à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, quando recebeu aproximadamente R$ 1,58 milhão pelos serviços prestados à candidatura.

Fornecedor fora de Santa Catarina

Embora Carlos Bolsonaro esteja disputando uma vaga pela representação de Santa Catarina, a principal empresa contratada para material de campanha está localizada no Rio de Janeiro.

A legislação eleitoral não estabelece, por si só, que um candidato tenha de contratar fornecedores localizados no estado pelo qual concorre. O que precisa ser observado é se as despesas estão regularmente registradas, se os serviços foram efetivamente prestados e se os valores correspondem às regras de financiamento e prestação de contas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

A origem e a aplicação dos recursos podem ser acompanhadas por meio da prestação de contas eleitoral apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Relação com a campanha de Ramagem

A coincidência entre fornecedores ganha relevância porque Alexandre Ramagem foi candidato à Prefeitura do Rio em 2024 e mantém trajetória política próxima à família Bolsonaro. A Exact Embalagens e Rótulos aparece nas prestações de contas da campanha de Ramagem com pagamentos que somaram cerca de R$ 1,58 milhão.

O fato de uma mesma empresa prestar serviços para diferentes campanhas, entretanto, não constitui, isoladamente, prova de irregularidade. Empresas de comunicação e impressão podem atender diversos candidatos e partidos, desde que cumpram as exigências legais e fiscais aplicáveis às campanhas eleitorais.

Os R$ 713 mil

Além dos R$ 605,4 mil destinados à Exact, a campanha de Carlos Bolsonaro registrou outros pagamentos que levam o total mencionado na apuração para aproximadamente R$ 713 mil em serviços relacionados à comunicação. Um dos pontos que merece verificação é a empresa de comunicação apontada como administrada por dois ex-assessores de Alexandre Ramagem.

A relação societária e a eventual atuação dos ex-assessores precisam ser confrontadas com os registros oficiais da Receita Federal, da Justiça Eleitoral e com os contratos ou notas fiscais apresentados na prestação de contas antes de qualquer conclusão sobre eventual conflito de interesses.

Prestação de contas será decisiva

Os pagamentos fazem parte da prestação de contas eleitoral e deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral dentro do procedimento próprio de fiscalização das campanhas. A análise poderá considerar, entre outros pontos, a existência dos serviços contratados, os documentos fiscais apresentados, os valores declarados e a compatibilidade das despesas com as regras eleitorais.

Até aqui, os dados apresentados mostram contratações realizadas pela campanha de Carlos Bolsonaro e a repetição de um fornecedor que também atuou para outras campanhas, mas não permitem concluir, isoladamente, que tenha ocorrido irregularidade.

O caso ganha relevância jornalística principalmente pela concentração de recursos em uma empresa sediada no Rio de Janeiro e pelo histórico de contratos da mesma gráfica com campanhas politicamente próximas. A confirmação de qualquer irregularidade dependerá da análise dos documentos e dos procedimentos de fiscalização eleitoral.

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