Ponte Preta busca R$ 10 milhões para colocar salários em dia e projeta necessidade de R$ 40 milhões para 2027

0
67
A partir de agora, crédito, patrocínio, receitas comerciais e uma eventual reformulação do projeto de SAF passam a fazer parte da equação financeira que determinará o próximo capítulo da Macaca. Foto Marcos Ribolli/PontePress

Com futuro esportivo ainda indefinido e SAF rejeitada pelos associados, clube procura crédito e novos patrocinadores para enfrentar despesas de curto e longo prazo

<OUÇA A REPORTAGEM>

Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

A Ponte Preta precisa levantar aproximadamente R$ 10 milhões para regularizar salários de funcionários, jogadores e integrantes da comissão técnica, além de outras pendências financeiras até o fim da temporada. Para 2027, a estimativa apresentada pela diretoria chega a R$ 40 milhões, valor considerado necessário para manter o funcionamento do clube diante de uma possível disputa da Série A-2 do Campeonato Paulista e da Série C do Campeonato Brasileiro.

A situação financeira ocorre em um momento delicado também dentro de campo. A Ponte Preta ainda tem nove partidas pela Série B do Campeonato Brasileiro e permanece na zona de rebaixamento, cenário que pode provocar redução de receitas esportivas na próxima temporada.

O diretor jurídico da Ponte, José Henrique Specie, afirmou, em entrevista à Rádio Bandeirantes Campinas, que a dificuldade financeira não é exclusiva do clube.

Segundo o dirigente, existe entre clubes, principalmente da Série B, uma percepção de que o futebol brasileiro atravessa uma crise financeira grave, com aumento dos custos do futebol profissional e dificuldades para equilibrar receitas e despesas.

R$ 40 milhões não são apenas salários

O orçamento estimado para 2027 não corresponde somente à folha do futebol profissional. A estrutura da Ponte Preta envolve despesas com manutenção do estádio Moisés Lucarelli, administração, clube social, categorias de base e Centro de Treinamento.

Também existem compromissos financeiros decorrentes de processos judiciais e acordos de parcelamento. Entre eles estão obrigações relacionadas ao Programa de Estímulo à Gestão e ao Futebol (PEPT), decisões da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e, no futuro, a possibilidade de utilização do Regime Centralizado de Execuções (RCE) para dívidas de natureza cível. A combinação desses compromissos aumenta a necessidade de geração de caixa independentemente do desempenho da equipe.

Clube procura crédito e novos patrocinadores

Para enfrentar a necessidade imediata de recursos, a direção trabalha em duas frentes: operações de crédito no mercado financeiro e ampliação das receitas comerciais. Specie também passou a comandar o departamento comercial depois da saída de Ricardo José Silva.

Uma das primeiras iniciativas foi a negociação com uma empresa do setor imobiliário, que passou a ocupar a parte frontal da camisa da Ponte. Os valores do contrato não foram divulgados. De acordo com Specie, as informações estão protegidas por cláusulas contratuais, mas o acordo deverá representar um alívio financeiro para o clube.

Inicialmente, o vínculo está previsto até o final de 2026, com possibilidade de continuidade como patrocinador máster na próxima temporada.

Rejeição da SAF aumenta pressão sobre caixa

A necessidade de buscar alternativas financeiras ganhou dimensão depois da rejeição da proposta de constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em Assembleia Geral Extraordinária realizada na semana passada. Eram necessários 256 votos favoráveis para aprovação da proposta. O projeto recebeu 234 votos, enquanto 150 associados votaram contra.

A proposta rejeitada previa um aporte imediato de R$ 7,5 milhões, valor que seria disponibilizado por um fundo de investimentos interessado na futura SAF da Ponte.

O projeto também previa investimentos de R$ 300 milhões no futebol ao longo de dez anos, além de outros R$ 300 milhões para pagamento de dívidas.

Havia ainda a previsão de R$ 400 milhões para complementar as obras do Centro de Treinamento do Jardim Eulina e promover intervenções no estádio Moisés Lucarelli.

Com a rejeição, os R$ 7,5 milhões previstos para o caixa imediato não estão disponíveis dentro daquela estrutura de investimento.

Discussão sobre SAF continua

A derrota da proposta na Assembleia não encerrou a discussão sobre a transformação da Ponte em SAF. Conselheiros ligados à oposição defendem que um eventual novo projeto seja construído desde o início, com a criação de uma comissão específica para analisar alternativas, negociar condições e apresentar uma nova proposta.

Nesse cenário, um novo projeto teria de passar novamente pelo Conselho Deliberativo e, se aprovado, ser submetido a uma nova Assembleia Geral Extraordinária.

A eventual retomada da SAF, portanto, dependerá das negociações internas e da construção de uma proposta capaz de obter apoio suficiente entre os associados.

O desafio de fechar as contas

Sem os R$ 7,5 milhões previstos no projeto rejeitado, a diretoria precisa encontrar outras fontes de recursos para enfrentar as obrigações de curto prazo. Crédito bancário, novos contratos comerciais e patrocínios aparecem como alternativas imediatas.

O problema, porém, é maior do que fechar o caixa de setembro ou outubro. A estimativa de R$ 40 milhões para 2027 mostra que a Ponte precisa estruturar uma fonte de receitas capaz de sustentar uma operação que inclui futebol profissional, categorias de base, patrimônio, administração e compromissos financeiros acumulados.

A situação também está diretamente ligada ao desempenho esportivo. Uma eventual queda para a Série C do Campeonato Brasileiro e a disputa da Série A-2 paulista alterariam o cenário de receitas, exposição comercial e custos da temporada seguinte.

A Ponte Preta chega, assim, à reta final de 2026 diante de dois problemas que caminham juntos: a necessidade de dinheiro para manter as obrigações em dia e a necessidade de definir qual modelo financeiro sustentará o clube em 2027.

A rejeição da SAF retirou uma alternativa de capitalização imediata, mas não eliminou a necessidade de recursos. A partir de agora, crédito, patrocínio, receitas comerciais e uma eventual reformulação do projeto de SAF passam a fazer parte da equação financeira que determinará o próximo capítulo da Macaca.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui