Projeto prevê pena igual para crime de corrupção e homicídio qualificado

Data:

Crimes de corrupção e peculato poderão ter a mesma pena aplicada a homicídio qualificado. O endurecimento da punição contra crimes que envolvam o desvio de dinheiro público está previsto em projeto de lei (PL 21/11) do deputado Protógenes Queiroz, do PC do B paulista.

O texto altera a Lei de Improbidade Administrativa e os Códigos Penal e de Processo Penal. Os crimes de corrupção ativa e passiva e de peculato que representarem prejuízos aos cofres públicos teriam a pena máxima aumentada dos atuais 12 anos para 30 anos de prisão, a mesma prevista para os crimes contra a vida, como é o caso do homicídio qualificado, por exemplo.

“Qual a diferença que tem de um homicida para um administrador público que desvia dinheiro de merenda escolar; desvia dinheiro do Bolsa Família, da alimentação das pessoas mais pobres; desvia dinheiro das áreas de educação e saúde, podendo causar o mal e a morte de muitas pessoas? É o desvio de dinheiro público sendo escoado no escoado no ralo da corrupção. É (preciso) qualificar mais esse criminoso.”

O projeto também orienta os juízes a adotarem critérios especiais no julgamento de todos os crimes que envolvam desvio de recursos públicos.

Protógenes explica que o juiz poderá aumentar a pena base prevista para determinado crime, levando em conta a extensão do dano causado aos cofres do país.

“Isso aí fica a critério do julgador, evidentemente de acordo com as provas que estarão nos autos. Se houver prova suficiente de que a proporção desse dano foi elevada, a pena dele evidentemente será a pena máxima de 30 anos.”

Ainda de acordo com o projeto, os crimes de improbidade, ou seja, os casos de corrupção na administração pública, deverão ser tratados com prioridade quanto aos atos e diligências nos processos e procedimentos judiciais e administrativos. Segundo Protógenes, a intenção é dar mais rapidez à apuração desses casos.

“Ele teria uma tramitação equivalente à tramitação das medidas urgentes, como habeas corpus e mandados de segurança. Seria muito rápido porque o dinheiro público não pode ficar esperando nos escaninhos da burocracia judicial.”

O coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Carlos Moura, afirmou que o projeto tem o apoio das entidades da sociedade civil.

“Toda medida que tenha por objetivo punir o agente público desonesto é bem aceita e tem o aplauso do movimento, mas é preciso que, enquanto os projetos neste sentido não sejam aprovados, se façam cumprir as leis já existentes.”

O deputado Protógenes Queiroz, autor do projeto, é delegado da Polícia Federal e, em 2008, comandou a Operação Satiagraha, uma das maiores investigações do país sobre desvios de verbas públicas, crimes contra o sistema financeiro, corrupção e lavagem de dinheiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Cantor sertanejo morre após bater carro contra poste em Campinas

Jonas Rocha, de 38 anos, perdeu o controle do...

Rio Piracicaba ultrapassa 4,2 metros e entra em nível de emergência

Elevação do nível do rio aumenta risco de transbordamento...

Caminhão-tanque com 60 mil litros de etanol pega fogo na Anhanguera em Sumaré

Incêndio ocorreu no km 107, no sentido capital, provocou...

Ônibus da linha 355 pega fogo durante operação em Campinas

Motorista percebeu fumaça na parte inferior do veículo, retirou...
Macaca é derrotada por 2 a 0 no Moisés Lucarelli, permanece na lanterna com 10 pontos e terá o Sport pela frente na quinta-feira <Siga o canal do Jornal Local...