Depois do grande sucesso nos anos anteriores, o Instituto SER apresenta, no dia 21 de setembro, às 20h, no Theatro Municipal de Paulínia, o espetáculo “Quasímodo”. A peça foi escolhida para ser interpretada em um dos maiores e mais luxuosos teatros do interior de São Paulo por sua beleza cênica e complexidade do tema, que apresenta como protagonista um portador de deficiência física excluído pela sociedade parisiense no século XV, com mais de 70 portadores de deficiência na área de sáude mental em cena.
“Quasímodo” retrata o conflito humano no conviver com as diferenças estéticas, sociais, religiosas, étnicas e culturais. Por meio da arte, cria-se, com os educandos portadores de deficiência intelectual, experiências corporais prazerosas de bem viver para todos. De acordo com o diretor do Instituto SER, Carlos Fróes, toda a interpretação e os fatos narrados na peça são vividos pelos educandos de forma consciente. “Nossos profissionais trabalham o tema ao longo do ano para que os educandos entendam o que é o lúdico, o imaginário, e possam diferenciar da realidade. O tema é forte e é de extrema importância que os educandos estejam conscientes do que estão interpretando”, explica Carlos Fróes.
O espetáculo de dança inclusiva se estrutura a partir de vivências de satisfação, em que o desejo impulsiona a aprendizagem motora. De acordo com o fisioterapeuta Ricardo Quintas, por meio da peça, os conhecimentos práticos e teóricos são entrelaçados em um único projeto de desenvolvimento intra e interpessoais. “O espetáculo nos proporciona vivências e experiências que nos levam à cooperação, envolvimento e desejo de transformar as dificuldades. A atividade física é desenvolvida na peça por meio do teatro e da dança, promovendo a saúde física e a melhora da postura, aumento da força, do tônus muscular e da flexibilidade. O desenvolvimento motor está em todo movimento realizado, sendo que os atores devem cooperar durante as cenas, em que as responsabilidades coletivas aparecem a todo instante e podem ser levadas como um fundamento para a vida”, conta Ricardo Quintas.
Segundo a psicóloga Fátima Sanchez, ao ouvir a história, a música e, na medida em que os educandos interagem com os personagens e objetos cênicos, eles manifestam suas emoções de alegria, medo, tristeza e frustração. “A exploração de outros lugares, épocas e diferentes modos de agir também auxiliam os participantes a se posicionarem nesse universo de representações simbólicas. Dando significado ao processo de leitura e escrita, nossos alunos vivenciam o esforço para superar angústias pertinentes ao tema, que reúne cenas de romance e aventura, em um brincar de faz de conta”, explica a psicóloga.
Sobre o espetáculo
Escrito em 1831 pelo teatrólogo e autor francês Vitor Hugo (1801-1885), a história transcorre em 1492, ano em que a humanidade passava por grandes mudanças e adquiria novos conhecimentos científicos, geográficos, religiosos e políticos. Em 2008, o Instituto SER adaptou este clássico da literatura mundial – Nossa Senhora de Paris ou “O Corcunda de Notre Dame” e constrói um espaço reflexivo para a inclusão. O espetáculo foi escolhido para este trabalho por sua complexidade histórica e estética. A remontagem é baseada na ópera-rock da super produção francesa de Luc Plamondon e Richard Cocciante, de onde foi adaptada toda a riqueza musical e cênica.
A figura de Quasímodo, o corcunda, representa não só um ser com uma diferença corporal, mas também um homem que carrega todos os conceitos e preconceitos em uma sociedade cuja aparência é fundamental. Porém, ele tem sua voz com o mundo, através dos sinos da Catedral. Aventura-se tragicamente no mundo, onde somente é acolhido pela cigana Esmeralda, digna representante de um povo excluído. O conflito sócio-político é evidenciado por meio de três grandes imagens do poder, como o arcediago Claude Frollo, religioso conservador; o capitão da guarda, Phoebus de Châteaupers; e o poeta Pierre Gringoire, representando a intelectualidade.




