Relator do vota contra investigação sobre Gonet no caso Banco Master

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Sanseverino entendeu que não estão presentes os elementos mínimos necessários para avançar com uma investigação criminal contra Gonet. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Francisco Sanseverino considerou insuficientes os elementos apresentados contra o procurador-geral da República e rejeitou pedido de apuração; decisão final depende do colegiado

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O subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, relator no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de procedimento de apuração sobre a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Banco Master. Segundo o voto, não haveria nos autos elementos mínimos de materialidade e autoria de crime atribuíveis ao chefe do Ministério Público Federal.

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Sanseverino também votou pelo indeferimento dos pedidos de investigação e considerou prejudicadas as solicitações para afastar Gonet dos procedimentos relacionados ao Banco Master. O voto do relator, porém, não deve ser confundido com uma decisão definitiva do colegiado, que é formado por nove integrantes.

Celular de Vorcaro

Um dos principais argumentos utilizados pelo relator foi o resultado da perícia realizada pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o voto, a perícia não identificou no aparelho um contato salvo sob os nomes “Paulo Gonet” ou “Gonet” e também não encontrou registro de conversa direta entre Vorcaro e o procurador-geral. As referências a Gonet encontradas no material analisado pela PF ocorreram principalmente em conversas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares.

Para Sanseverino, as mensagens precisam ser examinadas dentro do contexto em que foram produzidas. O relator argumentou que interpretar referências isoladas poderia produzir uma situação artificial e diferente da realidade dos fatos.

O procedimento do CSMPF foi aberto no início de setembro depois que deputados do Novo apresentaram representação questionando a atuação de Gonet nas investigações relacionadas ao Banco Master. Na ocasião, os parlamentares pediram que outro integrante do MPF fosse designado para atuar nas questões que envolvessem o procurador-geral.

Encontro em Londres

Outro ponto analisado foi o encontro entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024. De acordo com o voto, Sanseverino classificou o episódio como um encontro social, com outras pessoas presentes, e sem elementos que demonstrassem, posteriormente, favorecimento ao ex-banqueiro.

A própria defesa de Gonet havia informado ao Conselho que ele não mantinha relação de amizade com Vorcaro e que o encontro em Londres foi circunstancial. A existência da fotografia dos dois juntos em um evento na capital britânica foi confirmada pela PGR.

Ligação intermediada por Ciro Soares

O relator também analisou um segundo contato entre Gonet e Vorcaro, ocorrido em 15 de março de 2025. Segundo a manifestação apresentada pelo próprio procurador-geral, o advogado Ciro Soares teria feito uma ligação para Vorcaro e, durante a chamada, passado o telefone a Gonet para uma breve saudação. Gonet afirmou que a conversa foi rápida e que não houve discussão sobre assuntos relacionados ao Banco Master ou às atribuições do procurador-geral.

As mensagens que motivaram o procedimento

Apesar do voto de Sanseverino, o material da Polícia Federal que deu origem à representação contém outras referências a Gonet que foram levadas ao conhecimento do Conselho.

Entre elas estão mensagens de Ciro Soares com Vorcaro relacionadas a uma possível interlocução com Gonet sobre a disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).

Também foram identificadas mensagens nas quais Vorcaro mencionava Gonet ao discutir possíveis interlocuções envolvendo o Banco Master e o Banco Central.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o conteúdo de mensagens relacionadas ao custeio de despesas de uma viagem a Londres do filho de Gonet, Pedro Gonet, em 2025. Esse material também integra o conjunto de informações levado ao Conselho.

A existência dessas referências não significa, por si só, que Gonet tenha cometido crime ou interferido nas investigações. A questão submetida ao CSMPF é justamente se os elementos existentes justificam uma apuração mais aprofundada.

O que o Conselho pode decidir

O CSMPF havia aberto o procedimento para analisar se as referências encontradas pela Polícia Federal poderiam comprometer a atuação de Gonet nos casos relacionados ao Banco Master. A discussão não foi instaurada originalmente como um processo disciplinar destinado à aplicação imediata de punição ao procurador-geral.

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