Representante russo afirma que expansão do uso de moedas nacionais e fortalecimento de blocos como o BRICS refletem mudanças na economia global
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A Rússia afirmou que a redução da predominância do dólar no sistema financeiro internacional é um processo “natural e irreversível”. A declaração foi feita pelo representante permanente adjunto do país na Organização das Nações Unidas (ONU), Dmitry Chumakov, durante um debate de alto nível do Conselho de Segurança sobre a gestão de recursos naturais.
Defesa de um sistema multipolar
Durante o pronunciamento, Chumakov afirmou que o crescimento do uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras internacionais acompanha mudanças estruturais da economia mundial e atende à demanda de países em desenvolvimento por um sistema financeiro considerado mais equilibrado.
Segundo o diplomata, a predominância do dólar e a influência exercida por países ocidentais sobre o sistema monetário internacional representam práticas que classificou como “neocoloniais”, concentrando poder econômico em um número reduzido de nações e limitando o desenvolvimento dos países do chamado Sul Global.
Na avaliação da Rússia, a ampliação das operações comerciais em moedas locais, especialmente entre integrantes do BRICS e da Organização para Cooperação de Xangai (OCS), busca construir uma arquitetura financeira internacional mais compatível com um cenário econômico multipolar.
Chumakov também defendeu mudanças nas regras do comércio internacional para ampliar a participação das economias emergentes nos mercados globais. Segundo ele, países produtores de recursos naturais precisam de maior acesso a financiamento, tecnologia e investimentos para agregar valor às suas matérias-primas, reduzindo a dependência da exportação de produtos básicos.
Durante o debate, a delegação russa apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da cooperação internacional na gestão de recursos naturais. Entre as medidas citadas estão o desenvolvimento da capacidade industrial e científica dos países, o fortalecimento das instituições públicas, a ampliação da assistência técnica às nações em desenvolvimento e o combate ao contrabando e à exploração ilegal de recursos naturais.
Na parte final do discurso, o representante russo voltou a criticar sanções unilaterais, intervenções militares e interferências em assuntos internos de Estados soberanos. Segundo Chumakov, o abandono dessas práticas seria essencial para ampliar a cooperação internacional voltada ao desenvolvimento econômico, à estabilidade e à paz.
A manifestação reforça a posição defendida pela Rússia e por outros integrantes do BRICS em favor da ampliação do uso de moedas nacionais no comércio internacional, tema que tem ganhado espaço nos debates sobre a reorganização do sistema financeiro global.
Até o momento, não houve manifestação oficial de representantes dos Estados Unidos ou de outros países citados no discurso durante a sessão do Conselho de Segurança da ONU.




