Xi Jinping e Putin se reúnem em cúpula que amplia disputa por influência global

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A China tenta ampliar sua influência econômica e diplomática, enquanto a Rússia busca reduzir os efeitos do isolamento imposto pelo Ocidente. Índia, Irã e países da Ásia Central procuram preservar seus próprios interesses dentro desse novo equilíbrio. Foto Wikimedia Commons

Encontro na Organização de Cooperação de Xangai reúne China, Rússia, Índia e Irã em meio à tentativa de Pequim de fortalecer uma ordem internacional menos dependente dos Estados Unidos

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O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reuniram-se nesta segunda-feira (31), em Bishkek, capital do Quirguistão, durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). A guerra da Ucrânia esteve entre os assuntos discutidos pelos dois líderes, mas, segundo o Kremlin, não foi o principal tema do encontro. A reunião ocorre em um momento de crescente disputa pela influência política e econômica internacional e de aproximação entre Pequim e Moscou.

A cúpula reúne dez países-membros: China, Rússia, Índia, Irã, Belarus, Paquistão, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Também participam das atividades outros líderes e autoridades internacionais, entre eles o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

UMA ORGANIZAÇÃO QUE CRESCE

Criada em 2001 por China, Rússia e países da Ásia Central, a OCX nasceu como um fórum voltado principalmente à segurança regional. Ao longo dos anos, porém, ampliou sua agenda para questões econômicas, diplomáticas e de desenvolvimento.

Pequim vem tentando fortalecer a organização como espaço de cooperação entre países que não desejam depender exclusivamente das instituições e alianças lideradas pelos Estados Unidos.

A China apresenta a OCX como uma alternativa de cooperação regional e defende uma ordem internacional com maior participação dos países emergentes. O grupo, entretanto, está longe de funcionar como uma aliança política ou militar unificada.

A presença da Índia demonstra essa complexidade. Nova Délhi mantém relações estratégicas tanto com Washington quanto com Moscou e possui disputas históricas com a própria China.

CHINA E RÚSSIA ESTREITAM RELAÇÕES

A relação entre Xi e Putin ganhou importância desde o início da guerra da Ucrânia. A China manteve relações econômicas e diplomáticas próximas com Moscou, apesar das críticas ocidentais à invasão russa da Ucrânia. Países ocidentais também acusam Pequim de contribuir, direta ou indiretamente, para a capacidade industrial e militar russa. O governo chinês rejeita a caracterização de que esteja participando militarmente do conflito.

Para a Rússia, a aproximação com a China representa uma importante alternativa econômica e diplomática diante das sanções impostas por Estados Unidos e países europeus.

Para Pequim, a parceria com Moscou amplia sua capacidade de articulação em uma ordem internacional na qual os Estados Unidos continuam sendo a principal potência econômica e militar.

O TABULEIRO VAI ALÉM DA UCRÂNIA

A própria agenda da cúpula demonstra que a disputa não está limitada à guerra europeia. Energia, comércio, infraestrutura, segurança, tecnologia e financiamento do desenvolvimento fazem parte da crescente agenda de cooperação entre os integrantes da organização.

China e Rússia defendem maior utilização de moedas nacionais nas transações comerciais e uma redução da dependência do sistema financeiro internacional dominado pelo dólar. Se essa tendência avançar, poderá produzir efeitos sobre o comércio internacional, principalmente entre países que mantêm relações econômicas intensas com China e Rússia.

Ainda assim, especialistas apontam limitações importantes para a transformação da OCX em um bloco semelhante à União Europeia ou a uma aliança militar como a Otan.

Os integrantes possuem interesses econômicos distintos, disputas territoriais, diferentes relações com os Estados Unidos e prioridades próprias.

ÍNDIA AUMENTA A COMPLEXIDADE

A participação de Narendra Modi é particularmente relevante. A Índia mantém uma relação estratégica com os Estados Unidos, participa de fóruns como o Quad, ao lado de Washington, Japão e Austrália, mas continua sendo uma importante compradora de energia e equipamentos militares russos. Ao mesmo tempo, Índia e China disputam influência na Ásia e possuem uma fronteira marcada por conflitos e tensões.

A presença dos dois países na mesma organização mostra que a OCX funciona menos como uma aliança tradicional e mais como um espaço de negociação entre governos que compartilham alguns interesses, mas também competem entre si.

UM NOVO EQUILÍBRIO INTERNACIONAL

O encontro entre Xi e Putin ocorre, portanto, em um cenário de transformação das relações internacionais. A China tenta ampliar sua influência econômica e diplomática, enquanto a Rússia busca reduzir os efeitos do isolamento imposto pelo Ocidente. Índia, Irã e países da Ásia Central procuram preservar seus próprios interesses dentro desse novo equilíbrio. O resultado é um cenário no qual não existe apenas uma disputa entre dois blocos claramente definidos. O mundo está sendo reorganizado por uma combinação de alianças, acordos comerciais, interesses energéticos e disputas estratégicas. A OCX é uma das plataformas utilizadas nesse processo.

A reunião entre Xi e Putin, nesse contexto, é menos importante apenas pelo que os dois presidentes discutiram nesta segunda-feira e mais pelo que representa: a tentativa de consolidar novos centros de poder capazes de reduzir a predominância das instituições e alianças tradicionalmente lideradas pelos Estados Unidos.

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