
Documento divulgado na quinta-feira (22) afirma que os religiosos não podem permanecer neutros diante do segundo turno e convoca os católicos a votar no domingo (25), citando democracia, direitos sociais e proteção ambiental
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Um grupo de 35 bispos católicos divulgou nesta quinta-feira (22) uma carta pública sobre o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), na qual critica propostas atribuídas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) e destaca posições que associa à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Intitulado “Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026”, o documento afirma que os religiosos não podem permanecer neutros diante do que consideram estar em jogo na disputa.
Embora não cite nominalmente os dois candidatos ao orientar os eleitores, a carta estabelece diferenças entre as propostas das candidaturas e utiliza como referência a Doutrina Social da Igreja, conjunto de princípios católicos relacionados à dignidade humana, ao trabalho, à justiça social, à democracia e ao bem comum.
“Diante desses e inúmeros outros elementos, não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro”, afirmam os signatários.
Críticas a propostas de Flávio Bolsonaro
Os bispos sustentam que uma das candidaturas representa, na avaliação deles, riscos à democracia, à soberania nacional e a princípios sociais defendidos pela Igreja. O texto menciona posições atribuídas a Flávio Bolsonaro sobre a escala de trabalho 6×1, o acesso a armas, a política ambiental e as relações do Brasil com os Estados Unidos.
Os religiosos também questionam posições relacionadas aos programas sociais e citam homenagens feitas por integrantes da família Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido judicialmente como torturador durante a ditadura militar.
A carta sintetiza a avaliação dos signatários sobre o cenário eleitoral: “O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”.
As afirmações sobre os riscos associados a uma das candidaturas constituem a avaliação política dos próprios bispos. O documento, por si só, não demonstra que todas as consequências apontadas se concretizariam caso o candidato fosse eleito.
Referências ao governo Lula
Em contraste, os religiosos destacam o que consideram compromissos da candidatura petista com a população de baixa renda, a preservação ambiental e a ordem constitucional. Os signatários reconhecem, contudo, que o governo atual também está sujeito a críticas.
“Por outro lado, temos outra candidatura que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição”, afirma o documento.
Em outro trecho, os bispos argumentam que a insatisfação com a administração federal não deveria, por si só, determinar a escolha eleitoral. “Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, escrevem.
A manifestação insere princípios religiosos no debate público sobre políticas sociais, direitos trabalhistas, meio ambiente e funcionamento das instituições democráticas. O posicionamento dos signatários, entretanto, não deve ser confundido com uma declaração oficial de toda a Igreja Católica brasileira.
Apelo contra a omissão eleitoral
Os bispos também relacionam a neutralidade diante da disputa a experiências autoritárias do século passado. “Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século XX deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes”, afirmam.
Ao final, o grupo convoca os católicos a comparecer às urnas no domingo. “Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja.”
Entre os signatários mencionados estão dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho; dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba; e dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana.
A carta representa uma manifestação política de 35 integrantes do episcopado católico em um momento decisivo da eleição presidencial. Seu conteúdo explicita a avaliação dos religiosos sobre as candidaturas e procura mobilizar eleitores com base em princípios sociais, ambientais e democráticos associados à doutrina da Igreja.


