Prefeitura é alvo de críticas por atraso na programação e exclusão de organizadores em comissão oficial enquanto 177 blocos ocupam as ruas
O pré-carnaval oficial de São Paulo começa neste sábado (7) sob uma mistura de euforia e revolta. Enquanto a capital paulista se prepara para receber, pela primeira vez, a cantora Ivete Sangalo comandando um trio elétrico no Ibirapuera, os bastidores da organização fervem com críticas severas à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Organizadores dos 627 blocos previstos para toda a temporada denunciam o silêncio do Secretário da Cultura, Totó Parente, e o isolamento imposto por um decreto municipal que excluiu a participação popular das decisões sobre a folia.
A principal queixa recai sobre a demora na divulgação do cronograma oficial, o que, segundo o Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval, inviabilizou a captação de patrocínios e o planejamento financeiro das agremiações menores. A categoria afirma que o fomento oferecido pela prefeitura é insuficiente para cobrir os custos operacionais, empurrando muitos blocos para o prejuízo.
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A insatisfação dos carnavalescos ganhou corpo após a prefeitura institucionalizar uma Comissão Especial de Organização composta apenas por órgãos públicos, sem assento para os coletivos que realizam a festa. Zé Cury, coordenador do Fórum que reúne 200 entidades, classifica a postura da administração como autoritária e desconectada da cultura carnavalesca. O público, embora crítico à desorganização administrativa, promete lotar os circuitos tradicionais como o Baixo Augusta e a Avenida Pedro Álvares Cabral, onde a “mainha” deve arrastar uma multidão a partir das 8h de sábado.

A investigação sobre as contas do carnaval de rua paulistano sugere que o atraso nas definições favorece grandes empresas de eventos que já possuem estruturas montadas, em detrimento dos blocos comunitários e tradicionais. Nas redes sociais e blogs de política, a estratégia de Nunes é vista como uma tentativa de “higienizar” e centralizar o controle da festa, reduzindo a autonomia dos grupos independentes. A falta de interlocução direta com o secretário Totó Parente é apontada como o principal gargalo de uma gestão que prioriza o protocolo em vez do diálogo com quem faz o asfalto tremer.
Guia do Folião: Onde e quando ir
Sábado (7 de fevereiro)
- Quem Pede, Pede (Ivete Sangalo): Circuito Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral x Obelisco) às 8h. Grátis.
- Bloco Casa Comigo: Rua Henrique Schaumann, 567, Pinheiros, às 11h. Grátis.
- Ritaleena: Av. Paulo VI x Praça Marcia Alberti Mammana, Lapa, às 12h. Grátis.
- Bicho Maluco Beleza (Alceu Valença): Circuito Ibirapuera às 14h. Grátis.
- Batekoo: Largo do Paissandu, Sé, às 13h. Grátis.
- Bloco Bollywood: Rua Augusta, 1.300, Consolação, às 11h. Grátis.
Domingo (8 de fevereiro)
- Sainha de Chita: Praça Rio dos Campos, 1, Pompeia, às 9h. Grátis (infantil/familiar).
- Acadêmicos do Baixo Augusta: Rua da Consolação, 2.101, às 13h. Grátis.
- Monobloco: Av. Pedro Álvares Cabral x Obelisco, Vila Mariana, às 15h. Grátis.
- Cordão Confraria do Pasmado: Rua dos Pinheiros, 1.037, às 11h. Grátis.
- Bloco Gal ToTal: Praça Elis Regina, Butantã, às 15h. Grátis.




