Primeiro trecho do novo ramal será inaugurado nesta quinta-feira (2), dois dias antes do início das restrições impostas pela Justiça Eleitoral à publicidade institucional de agentes públicos que disputarão as eleições de 2026
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Após quase 18 anos entre o anúncio do projeto e a conclusão da primeira etapa das obras, a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo será inaugurada nesta quinta-feira (2). A abertura ocorre dois dias antes do início das restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à publicidade institucional relacionada a obras e programas de governo, período que antecede as eleições de outubro de 2026, nas quais o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é pré-candidato à reeleição. A operação para os passageiros começa na sexta-feira (3), em caráter assistido e sem cobrança de tarifa.
Neste primeiro momento, entrarão em funcionamento seis estações no trecho entre João Paulo I, na zona norte da capital, e Perdizes, na zona oeste, com integração à Linha 7-Rubi da CPTM. A operação ocorrerá de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, com dois trens circulando em sistema de ida e volta, velocidade aproximada de 30 km/h e tempo estimado de viagem de 20 minutos.
Considerada uma das maiores obras de mobilidade urbana em execução no país, a Linha 6-Laranja teve sua implantação marcada por sucessivos atrasos, paralisações, troca do consórcio responsável pelas obras e um dos principais acidentes da história recente do metrô paulista. Em fevereiro de 2022, uma cratera se abriu na Marginal Tietê após o rompimento de uma tubulação de esgoto durante a passagem da tuneladora, conhecida como “tatuzão”, provocando o alagamento do equipamento e atrasando o cronograma da construção.
Orçada em aproximadamente R$ 19 bilhões, a Linha 6-Laranja é a primeira parceria público-privada (PPP) do Metrô de São Paulo. A construção e futura operação do ramal são de responsabilidade da concessionária Linha Uni, liderada pela empresa espanhola Acciona. Quando totalmente concluída, a linha terá 15,3 quilômetros de extensão, 15 estações e ligará o bairro da Brasilândia, na zona norte, à região da Liberdade, no centro da capital.
Segundo o cronograma da concessionária, ainda neste ano deverão entrar em operação as estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado. O restante da linha, entre PUC-Cardoso de Almeida e Liberdade, está previsto para ser entregue em 2027. A única exceção é a estação 14 Bis-Saracura, na Bela Vista, que permanece sem previsão de inauguração devido às escavações arqueológicas realizadas no local após a identificação de vestígios históricos e à necessidade de autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Quando estiver completamente em funcionamento, a Linha 6-Laranja deverá transportar cerca de 633 mil passageiros por dia, reduzindo o tempo de deslocamento entre Brasilândia e Liberdade para aproximadamente 23 minutos.
Além da capacidade operacional, o ramal se destaca pela complexidade de engenharia. Nove das dez estações mais profundas do sistema metroviário paulistano estarão na Linha 6-Laranja. A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado terá 65,71 metros de profundidade, equivalente à altura de um edifício de aproximadamente 24 andares. Nesta primeira etapa, a estação Água Branca será a mais profunda em operação, com 47,8 metros, superando a estação Santa Cruz, da Linha 5-Lilás.
A infraestrutura contará ainda com 335 escadas rolantes distribuídas pelas estações, sendo 22 apenas na estação Itaberaba. Os novos trens também terão capacidade ampliada, podendo transportar até 2.044 passageiros por composição, cerca de 28% a mais do que os modelos atualmente utilizados em linhas mais antigas do sistema, mantendo a mesma quantidade de vagões.




