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quinta-feira, abril 2, 2026
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Alta do combustível pode encarecer passagens aéreas em até 20% no Brasil

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Reajuste do querosene de aviação acompanha disparada do petróleo e pressiona custos das companhias

Brasília – Chega a Brasília o avião trazendo a lanterna que contém a Chama Olímpica (Antonio Cruz/Agência Brasil)

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O aumento superior a 50% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras, pode elevar o valor das passagens aéreas em até 20% no Brasil, segundo especialistas do setor. O reajuste entrou em vigor neste mês e reflete a escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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De acordo com análises de consultorias como Bain & Company e L.E.K. Consulting, o combustível representa atualmente cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas — patamar que antes girava acima de 30%. A elevação do QAV deve impactar diretamente o custo por passageiro, com projeções de repasse entre 10% e 20% ao consumidor final.

Efeito cascata no setor aéreo

Especialistas apontam que o aumento pode gerar redução na oferta de voos, especialmente em rotas menos rentáveis. Com tarifas mais altas, a demanda tende a cair em proporção semelhante, principalmente em viagens de lazer, mais sensíveis ao preço. Em cenários projetados, uma alta média de 15% nas passagens pode resultar em retração equivalente no número de passageiros.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classificou o reajuste como de “consequências severas”, alertando para riscos à conectividade nacional e à expansão de rotas. Em nota, a entidade afirmou que o aumento pode comprometer a sustentabilidade econômica das operações.

Estratégia da Petrobras e pressão internacional

Apesar de mais de 80% do QAV consumido no Brasil ser produzido internamente, os preços seguem a paridade internacional. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o barril do petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115, pressionando toda a cadeia de combustíveis.

Para suavizar o impacto imediato, a Petrobras anunciou que parte do reajuste será diluída: as distribuidoras pagarão aumento equivalente a 18% em abril, enquanto a diferença será parcelada ao longo de seis meses. A estatal afirma que a medida busca preservar a demanda e evitar choques abruptos no setor.

Governo avalia medidas para conter impactos

Diante do cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou propostas ao Ministério da Fazenda para reduzir a pressão sobre as empresas aéreas. Entre as medidas em análise estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, diminuição do IOF em operações financeiras e cortes no Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves.

Outra alternativa em estudo envolve o uso de recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para subsidiar a compra de combustível, em caráter emergencial. A equipe econômica informou que monitora os efeitos da crise internacional e avalia possíveis ações dentro dos limites fiscais.

Nos bastidores, fontes do setor apontam que a combinação entre conflito geopolítico, política de preços atrelada ao mercado externo e estrutura concentrada da aviação brasileira amplia a vulnerabilidade do país a choques internacionais, com impacto direto no bolso do consumidor.

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