Dados fiscais indicam pagamentos superiores a R$ 65 milhões e levantam questionamentos sobre atuação institucional e interesses cruzados

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O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, é alvo de investigação após a revelação de repasses milionários a políticos, ex-ministros, veículos de comunicação e operadores de influência. Os pagamentos, registrados entre 2023 e 2025 em dados da Receita Federal, coincidem com o período que antecedeu a liquidação da instituição pelo Banco Central do Brasil, sob a gestão de Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.
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Segundo os dados declarados, os repasses atribuídos ao grupo de Vorcaro saltaram de R$ 1,53 milhão em 2023 para R$ 41,7 milhões em 2025, totalizando ao menos R$ 65,8 milhões. O crescimento ocorre após o fim da gestão de Roberto Campos Neto, período em que, segundo relatos, o banco teria mantido proteção institucional. A liquidação ocorreu um dia após a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal do Brasil, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava deixar o país.
Quem recebeu e o que dizem os envolvidos
Entre os nomes citados está o ex-presidente Michel Temer (MDB), que recebeu R$ 10 milhões em 2025. Em nota, afirmou: “Como já declarei publicamente, não é segredo pra ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5 milhões”.
O advogado Fábio Wajngarten, ex-integrante do governo Jair Bolsonaro (PL), declarou ter recebido ao menos R$ 3,8 milhões pela defesa do banqueiro. “O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado”, afirmou.
O ex-ministro Ronaldo Bento recebeu R$ 773 mil e posteriormente assumiu cargos em empresas do grupo. Já o site Metrópoles, ligado ao ex-senador Luiz Estevão, recebeu R$ 27,2 milhões. Em resposta, Estevão declarou que os valores se referem a patrocínio esportivo vinculado à Série D do Campeonato Brasileiro.
O apresentador Ratinho recebeu R$ 24 milhões por ações publicitárias ligadas à CredCesta. O político ACM Neto (União Brasil) declarou que os R$ 5,4 milhões recebidos foram resultado de contrato firmado sem vínculo com cargo público.
Também aparecem na lista o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que recebeu R$ 6,4 milhões e afirmou não reconhecer dados “supostamente vazados”, além dos ex-ministros Guido Mantega, que recebeu R$ 14 milhões, e Henrique Meirelles, com R$ 18,5 milhões — ambos alegam prestação de serviços de consultoria.
- Michel Temer
- Fábio Wajngarten
- Ronaldo Bento
- Metrópoles / Luiz Estevão
- Ratinho
- ACM Neto
- Antônio Rueda
- Guido Mantega
- Henrique Meirelles
- Ricardo Lewandowski
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski declarou que recebeu R$ 6,1 milhões por serviços jurídicos prestados após deixar a Corte, ressaltando que suspendeu suas atividades ao assumir cargo no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Conexões, influência e investigação
Os dados levantam questionamentos sobre a possível atuação coordenada de agentes públicos e privados em defesa de interesses do Banco Master, especialmente em momentos críticos de regulação. A distribuição de recursos a diferentes esferas — política, jurídica e midiática — sugere uma estratégia ampla de influência institucional.
Especialistas em regulação financeira apontam que, embora os valores tenham sido declarados oficialmente, a análise do contexto e das relações contratuais é essencial para identificar eventuais conflitos de interesse, tráfico de influência ou atuação indevida junto a órgãos públicos. As investigações seguem em curso e podem avançar sobre a legalidade e finalidade dos contratos firmados.




