Operação aponta suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e favorecimento em financiamento imobiliário de alto valor em Brasília

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A Polícia Federal prendeu preventivamente nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo operações financeiras com o Banco Master. A apuração inclui o financiamento de um imóvel adquirido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), em área nobre de Brasília.
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Além de Costa, foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável por estruturar juridicamente as negociações sob suspeita. A operação cumpre mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o sistema financeiro.
Financiamento sob análise e conexões políticas
No centro das investigações está um financiamento imobiliário concedido em 2021 pelo BRB a Flávio Bolsonaro para aquisição de uma mansão no Lago Sul, em Brasília. O banco liberou R$ 3,1 milhões para um imóvel avaliado em cerca de R$ 5,97 milhões, com taxas consideradas competitivas no mercado. A operação passou pela diretoria colegiada da instituição, então presidida por Paulo Henrique Costa, o que, segundo investigadores, vincula a cúpula do banco à decisão.
A Polícia Federal analisa se houve favorecimento indevido e se a operação financeira pode ter sido utilizada dentro de um esquema mais amplo de circulação de recursos ilícitos. A gestão de Costa no banco, iniciada em 2019 sob indicação do governador Ibaneis Rocha (MDB), passou a ser revisitada após o avanço das investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Outro ponto que reaparece no contexto das apurações é o histórico de investigações sobre o patrimônio da família Bolsonaro. O nome de Fabrício Queiroz, apontado pelo Ministério Público como operador de um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, volta a ser citado como parte de um possível fluxo de recursos em espécie utilizado em transações imobiliárias.
Segundo essa linha investigativa, imóveis teriam sido utilizados para transformar valores de origem ilícita em patrimônio formal, com registros abaixo do valor real e pagamentos complementares em dinheiro. Flávio Bolsonaro sempre negou irregularidades e afirma que seus recursos têm origem lícita.
Quitação antecipada levanta questionamentos
O caso ganhou novos desdobramentos em 2024, quando o senador quitou de forma antecipada o saldo devedor do imóvel, com pagamentos que somaram R$ 3,4 milhões em aportes elevados. A movimentação ocorreu após decisões do STF que anularam provas do caso das rachadinhas por questões processuais.
Em declarações públicas, Flávio Bolsonaro afirmou que os recursos utilizados vieram de sua atividade empresarial e renda pessoal. Investigadores, no entanto, avaliam a compatibilidade financeira das operações dentro do contexto mais amplo das apurações.
Até o momento, as defesas dos citados não tiveram novas manifestações públicas nesta fase da operação.




