Ex-diretor da Abin condenado por tentativa de golpe segue em liberdade enquanto aguarda decisão sobre pedido de asilo político

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A Polícia Federal se reuniu nesta quinta-feira (16) com representantes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas para tratar da situação do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que está nos Estados Unidos após condenação no Brasil por tentativa de golpe de Estado. Segundo autoridades, ele foi liberado por “decisão administrativa” e poderá responder em liberdade enquanto aguarda a análise do pedido de asilo político.
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A reunião, já prevista anteriormente, teve como objetivo reforçar junto às autoridades americanas o pedido de deportação feito pelo governo brasileiro. A soltura de Ramagem, ocorrida após prisão por irregularidades migratórias em Orlando, frustrou a expectativa de que a detenção pudesse acelerar o retorno do ex-parlamentar ao Brasil.
Condenação, fuga e estratégia jurídica
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por envolvimento em uma articulação para reverter o resultado das eleições de 2022. As investigações apontam o uso da estrutura estatal para monitoramento ilegal de adversários políticos, no episódio que ficou conhecido como “Abin paralela”.
De acordo com a PF, o ex-deputado deixou o país em 2025 por via terrestre, cruzando a fronteira entre Roraima e Guiana, com apoio de uma organização criminosa ligada ao garimpo ilegal. Posteriormente, seguiu para os Estados Unidos, onde foi detido no início da semana e liberado dois dias depois.
O governo brasileiro sustenta que Ramagem não se enquadra nos critérios para concessão de asilo político e prepara um novo relatório com provas para reforçar o pedido de extradição. A estratégia é contestar a alegação de perseguição política apresentada pela defesa do ex-parlamentar.
Após ser solto, Ramagem publicou vídeos nas redes sociais com críticas à Polícia Federal e agradecimentos à gestão do presidente Donald Trump pela liberação.
Com o processo de asilo em andamento, ele poderá permanecer em liberdade nos Estados Unidos até decisão final. Caso o pedido seja negado, a tendência é que seja deportado ao Brasil para cumprimento da pena, ampliando o impacto diplomático e jurídico envolvendo investigados ligados ao bolsonarismo fora do país.




