nvestigação do Gaeco aponta pagamento sistemático de propina e tentativa de interferência em apurações ligadas à Operação Bazaar

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O Ministério Público de São Paulo denunciou 23 pessoas, entre elas policiais civis, por suspeita de participação em um esquema de corrupção associado a uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. A acusação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como desdobramento da Operação Bazaar, que investiga movimentações financeiras bilionárias e fraudes estruturadas no estado.
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Segundo a denúncia, agentes da Polícia Civil do Estado de São Paulo recebiam propina de integrantes do grupo criminoso para garantir a continuidade das atividades ilegais e dificultar a responsabilização dos envolvidos. Os investigados respondem por associação criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude processual. O Ministério Público aponta que os pagamentos ocorriam de forma sistemática desde agosto de 2020, inclusive após ações da Polícia Federal e da Receita Federal do Brasil no caso.
As apurações também indicam tentativas de obstrução de justiça, como substituição de dispositivos eletrônicos apreendidos e retirada de documentos relevantes para produção de provas. De acordo com o Gaeco, o esquema teria ramificações em unidades como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e o 16º Distrito Policial da capital paulista.
Estrutura do esquema e medidas judiciais
A organização é acusada de movimentar valores bilionários por meio de empresas de fachada, evasão de divisas e outros mecanismos de ocultação de patrimônio. O Ministério Público solicitou a manutenção de prisões preventivas já decretadas e o reforço de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes, restrição de contato entre investigados e bloqueio de bens de policiais civis em até R$ 5 milhões por pessoa.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha o caso e colabora com as investigações. “A Polícia Civil reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”, informou.
A denúncia agora será analisada pelo Judiciário, que decidirá sobre o recebimento das acusações e eventual abertura de ação penal. O caso lança luz sobre possíveis falhas de controle interno e levanta questionamentos sobre a infiltração do crime organizado em estruturas institucionais, em um cenário que pode envolver interesses econômicos de grande escala.




