Decisão aponta falta de transparência e exige divulgação de lista completa de eleitores em até 48 horas

<OUÇA A REPORTAGEM>
A Justiça de Campinas determinou a suspensão da eleição interna da Irmandade de Misericórdia, entidade responsável pela gestão da Santa Casa de Campinas e do Hospital Irmãos Penteado. O pleito, que estava previsto para quinta-feira (30), foi barrado por decisão do juiz Marcos Hideaki Sato, da 10ª Vara Cível, após ação movida por associados que apontam irregularidades no processo.
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
A disputa definiria o novo provedor e a mesa diretora da entidade, em um cenário de confronto entre o atual gestor, Murilo de Almeida, candidato à reeleição, e o grupo de oposição “Santa Causa”. Segundo a ação, os autores alegam não ter tido acesso completo à lista de eleitores aptos, o que comprometeria a lisura e a igualdade de condições na disputa.
Na decisão, o magistrado afirmou que há indícios de falhas na condução do processo eleitoral. “Os elementos até o momento revelam a probabilidade do direito invocado, ao menos quanto à necessidade de preservação de patamar mínimo de transparência, isonomia e regularidade procedimental”, destacou.
Crise institucional e investigação
Além de suspender a eleição, a Justiça determinou que a Irmandade apresente, em até 48 horas, uma lista atualizada dos associados aptos a votar, com dados completos. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 50 mil, além de penalidade de R$ 20 mil caso o pleito seja realizado em desacordo com a ordem judicial.
A atual diretoria permanece no comando de forma provisória, restrita a atos administrativos, sem poder interferir no processo eleitoral.
A decisão ocorre em meio a um contexto de crise na entidade, que enfrenta dificuldades financeiras e é alvo de investigação do Ministério Público do Estado de São Paulo sobre possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares. Apurações indicam suspeitas de devolução de parte dos recursos — entre 10% e 20% — em um possível esquema envolvendo verbas públicas. Entre 2024 e 2025, a instituição recebeu cerca de R$ 25,6 milhões em emendas impositivas.
O pedido de nomeação de um administrador provisório foi negado neste momento. A Justiça entendeu que ainda não há elementos suficientes para caracterizar desorganização institucional grave. Até o fechamento desta reportagem, a direção da Irmandade não havia se manifestado.




