28.9 C
Campinas
terça-feira, abril 28, 2026
spot_img

Helicóptero com suspeito ligado ao PCC pousou no Palácio dos Bandeirantes com autorização, aponta investigação

Data:

Caso revelado em operação da Polícia Civil expõe possível infiltração do crime organizado em estruturas públicas e conexões políticas

De acordo com as investigações, o ocupante da aeronave era o empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, preso em março de 2026, suspeito de envolvimento com um carregamento de 500 quilos de cocaína vindo da Bolívia Foto Reprodução

<OUÇA A REPORTAGEM>

Um helicóptero que transportava um suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pousou no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em março de 2022, após autorização obtida em cerca de seis horas junto à Casa Militar. O passageiro seguiu até o Estádio do Morumbi para assistir a uma partida entre São Paulo e Palmeiras. O caso veio à tona em documentos da Operação Contaminatio, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

De acordo com as investigações, o ocupante da aeronave era o empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, preso em março de 2026, suspeito de envolvimento com um carregamento de 500 quilos de cocaína vindo da Bolívia. A polícia aponta que ele teria utilizado contatos políticos para viabilizar o pouso. Mensagens apreendidas indicam interlocução com o ex-vereador Thiago Rocha de Paula, então filiado ao Partido Social Democrático (PSD), que teria articulado a autorização sob a justificativa de uma suposta comitiva estrangeira.

As apurações indicam ainda possível participação indireta de agentes públicos na liberação. A suspeita recai sobre um assessor vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Regional à época, comandada por Marco Vinholi. Em nota, a assessoria do ex-secretário afirmou que a pasta não tinha ingerência sobre o heliponto, atribuição da Casa Militar.

Infiltração, dinheiro e articulação política

A Operação Contaminatio é desdobramento da Operação Decurio e investiga a infiltração do PCC em administrações públicas municipais, além do financiamento de campanhas eleitorais em 2024. Segundo a polícia, a organização teria movimentado bilhões por meio de empresas de fachada e de uma fintech chamada 4TBank, usada para lavar dinheiro e, supostamente, intermediar receitas públicas como taxas e impostos.

Relatórios apontam a identificação de ao menos seis “pessoas politicamente expostas” com atuação em regiões como Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. A suspeita é de que o grupo buscava inserir estruturas financeiras ligadas à facção dentro da administração pública, criando um canal institucional para “limpar” recursos ilícitos.

As investigações também sugerem que o PCC apoiava ou financiava candidatos em nível municipal e estadual, com o objetivo de influenciar decisões administrativas. O Judiciário determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos, além de prisões temporárias e mandados de busca em diversas cidades do país.

O ex-governador João Doria afirmou que não tinha controle sobre o uso do heliponto do Palácio dos Bandeirantes. “Quem tem que responder é a Casa Militar”, declarou. Até o momento, o órgão não se manifestou.

O caso amplia a pressão sobre mecanismos de controle interno do Estado e levanta suspeitas sobre possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas do crime organizado, em um cenário que segue sob investigação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

STF retoma julgamento sobre denúncia contra Silas Malafaia por falas contra o Exército

Primeira Turma decide se aceita acusação da PGR que...

Post de Sóstenes Cavalcante sobre “ladrão” gera reação negativa e relembra investigação da PF

Deputado do PL vira alvo de críticas após publicação...

MP denuncia 23 por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema que envolve policiais civis em SP

nvestigação do Gaeco aponta pagamento sistemático de propina e...

Mais de 200 mil presos provisórios enfrentam barreiras para votar nas eleições

Baixa oferta de seções eleitorais e falta de documentação...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade