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segunda-feira, maio 4, 2026
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Irã contradiz Trump e ameaça atacar forças dos EUA no Estreito de Ormuz

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Declaração do comando militar iraniano ocorre após Donald Trump anunciar operação naval para escoltar embarcações na principal rota energética

A mídia estatal iraniana informou que os EUA responderam à proposta iraniana de 14 pontos para um possível acordo de paz, enviada por meio do governo do Paquistão. Foto Marinha EUA/Wikimeida Commons

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O comando das Forças Armadas do Irã afirmou nesta segunda-feira (4) que manterá “controle total” sobre a segurança no Estreito de Ormuz e ameaçou atacar embarcações militares dos Estados Unidos que tentarem se aproximar da região sem autorização prévia. A declaração foi feita pelo comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi em comunicado divulgado pela agência estatal iraniana Fars, em meio à escalada militar e diplomática envolvendo Teerã, Washington e aliados no Oriente Médio.

O alerta iraniano ocorreu poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma operação naval chamada “Projeto Liberdade”, destinada a escoltar navios civis e petroleiros que estariam retidos no Estreito de Ormuz devido à crise regional. Trump afirmou que os EUA atuarão para garantir “passagem segura” a embarcações de países não envolvidos diretamente no conflito.

O governo iraniano afirmou que qualquer força estrangeira que tente entrar ou operar no estreito sem coordenação poderá ser alvo de ação militar. “Advertimos que qualquer força armada estrangeira — especialmente o agressivo Exército dos EUA — se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada”, declarou Abdollahi.

A fala amplia o risco de confronto direto em uma das regiões mais estratégicas do planeta para o comércio internacional. O Estreito de Ormuz, localizado entre Irã e Omã, concentra cerca de 20% de todo o petróleo transportado globalmente e é considerado um dos pontos mais sensíveis da geopolítica energética mundial.

Além das ameaças aos navios militares, o comando iraniano também advertiu petroleiros e embarcações comerciais a não transitarem sem comunicação prévia com as forças iranianas. Segundo Teerã, a responsabilidade pela segurança marítima na área pertence exclusivamente ao Irã.

A tensão ganhou novos contornos após a agência britânica UKMTO, ligada ao comércio marítimo internacional, classificar como “crítico” o nível de ameaça à navegação na região. O órgão orientou embarcações a manterem contato com autoridades omanitas e considerarem rotas próximas às águas territoriais de Omã, onde os Estados Unidos estariam operando uma zona reforçada de segurança.

Nos bastidores diplomáticos, a crise ocorre em meio a negociações indiretas entre Washington e Teerã. A mídia estatal iraniana informou que os EUA responderam à proposta iraniana de 14 pontos para um possível acordo de paz, enviada por meio do governo do Paquistão. O conteúdo estaria em análise pelas autoridades iranianas.

Apesar disso, Donald Trump voltou a adotar tom ameaçador ao comentar a possibilidade de novos ataques militares. “Se eles se comportarem mal, se fizerem algo ruim, vamos ver. Mas é uma possibilidade”, afirmou o presidente americano ao ser questionado sobre uma eventual retomada dos bombardeios contra o Irã.

Especialistas internacionais avaliam que o endurecimento do discurso iraniano também possui dimensão política interna. O governo de Teerã enfrenta pressão de setores militares e nacionalistas após semanas de tensão no Golfo Pérsico e tenta demonstrar capacidade de controle estratégico sobre uma das principais rotas marítimas do planeta.

Ao mesmo tempo, analistas do setor energético alertam que qualquer bloqueio prolongado ou confronto naval em Ormuz pode provocar forte impacto nos preços internacionais do petróleo, pressionando inflação global, cadeias logísticas e economias dependentes da importação de energia.

Mesmo após a suspensão temporária da campanha de bombardeios conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã há cerca de quatro semanas, as negociações diplomáticas seguem frágeis. As tentativas de organizar novas rodadas de conversas fracassaram até agora, enquanto o impasse marítimo se tornou o principal foco da crise atual.

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