Redução da audiência e desgate de escândalos envolvendo a família reacende debate sobre influência política nas redes sociais

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Os perfis do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais registraram queda expressiva no número de seguidores nos últimos meses, após um longo período sem novas publicações em razão de decisões judiciais. Levantamento citado pela revista Veja aponta que aproximadamente 800 mil usuários deixaram de seguir o ex-presidente desde o final do ano passado, reduzindo sua audiência digital de 68,5 milhões para 67,7 milhões de seguidores nas principais plataformas.
Bolsonaro não realiza publicações em seus perfis desde 17 de julho do ano passado. Apesar da restrição, as contas permaneceram abertas para consulta pública, permitindo que seguidores continuassem acessando conteúdos antigos, curtindo publicações anteriores e interagindo com materiais já disponíveis.
REDUÇÃO DO ENGAJAMENTO
A diminuição da base de seguidores ocorre após um período em que o ex-presidente manteve forte presença digital mesmo diante de investigações judiciais e de restrições impostas por decisões do Supremo Tribunal Federal. Analistas observam que a ausência prolongada de novos conteúdos tende a reduzir o alcance orgânico dos perfis e diminuir a capacidade de mobilização nas plataformas.
O fenômeno foi descrito por aliados como uma espécie de “morte digital”. A expressão ganhou repercussão após declarações do deputado federal Nikolas Ferreira, que criticou as restrições impostas ao ex-presidente e afirmou que a impossibilidade de publicar representa uma forma de afastamento do debate público online.
Segundo a revista Veja, os números indicam uma mudança gradual no comportamento de parte dos usuários que acompanhavam Bolsonaro nas redes. Sem novos conteúdos produzidos diretamente pelo ex-presidente, a interação passou a depender principalmente de publicações realizadas por aliados políticos, familiares e apoiadores.
DISPUTA PELA INFLUÊNCIA
Pesquisadores apontam diferentes fatores para explicar a perda de dinamismo dos perfis. Entre eles estão a ausência de novas manifestações públicas nas plataformas digitais e a reorganização do campo político identificado com o bolsonarismo.
A antropóloga Letícia Cesarino avaliou que acontecimentos recentes envolvendo o ex-presidente e seu entorno político podem ter contribuído para reduzir o interesse de parte da audiência. Entre os fatores mencionados estão os desdobramentos judiciais enfrentados por Bolsonaro e episódios que envolveram integrantes de sua família no noticiário político nacional.
A redução no número de seguidores acontece em meio às articulações para as eleições de 2026 e à disputa pela manutenção da influência política do bolsonarismo. Mesmo com a queda registrada nos últimos meses, Bolsonaro continua entre as lideranças políticas brasileiras com maior alcance nas redes sociais, mantendo dezenas de milhões de seguidores distribuídos entre Instagram, Facebook, X, YouTube e TikTok.




