Rede Sol Fuel Distribuidora é alvo de investigação na Operação Carbono Oculto e segue responsável pelo fornecimento de combustíveis à frota da Polícia Militar até 2027; corporação afirma que abrirá nova licitação
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A Rede Sol Fuel Distribuidora, empresa investigada por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mantém um contrato de R$ 168,8 milhões com o Governo do Estado do Rio de Janeiro para abastecer a frota da Polícia Militar. O acordo foi assinado em março de 2025, tem vigência até 2027 e prevê o fornecimento de combustíveis para os postos internos da corporação. Questionada sobre a permanência do vínculo, a Polícia Militar informou que o contrato foi firmado dentro da legalidade e anunciou que pretende realizar uma nova licitação. O Palácio Guanabara não se manifestou sobre o caso.
O contrato foi celebrado durante a gestão do então secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes Nogueira, e poderá ser prorrogado, conforme previsão contratual. O abastecimento é realizado por meio de um sistema informatizado que atende cerca de 70 postos de combustíveis instalados em batalhões da corporação em todo o estado.
Pelos termos do contrato, a empresa deverá fornecer aproximadamente 37 milhões de litros de combustíveis, sendo cerca de 32 milhões de litros de gasolina, equivalentes a R$ 147,8 milhões, e pouco mais de 4 milhões de litros de diesel S10, no valor de R$ 20,9 milhões. A remuneração é calculada com base no preço médio semanal divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), descontado o ICMS e acrescido do desconto contratual de 1,54% oferecido pela distribuidora.
Desde a assinatura, o contrato recebeu ao menos três termos aditivos para inclusão de novas fontes orçamentárias. Em julho de 2025 foram incorporados R$ 456 mil provenientes de convênio entre a Polícia Militar e a Prefeitura de Barra do Piraí. Em outubro, mais R$ 8,49 milhões do Fundo Especial da PM foram adicionados ao contrato e, em novembro, outro aditivo incluiu R$ 1,77 milhão da mesma fonte. O documento não informa o número de veículos atendidos, embora a frota da corporação seja estimada em cerca de cinco mil viaturas.
A Rede Sol Fuel Distribuidora é alvo de buscas na Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de combustíveis e organizações ligadas ao PCC. Conforme a investigação, títulos comerciais da distribuidora, avaliados em cerca de R$ 30 milhões, foram adquiridos pelo Mabruk II Fundo de Investimento, apontado pela Receita Federal entre os fundos investigados por supostamente financiar aquisições da facção criminosa no mercado de combustíveis.
Até o momento, a existência da investigação não significa condenação ou reconhecimento judicial de responsabilidade da empresa. As apurações seguem em andamento e caberá às autoridades competentes concluir se houve participação da distribuidora em eventuais práticas ilícitas.
O histórico da empresa também registra um episódio anterior envolvendo a Polícia Militar fluminense. Em maio de 2025, o 38º Batalhão da PM, em Três Rios, identificou supostas irregularidades na qualidade do combustível fornecido pela Rede Sol, fato que resultou na abertura de procedimento judicial para apuração das circunstâncias.
Mesmo após a deflagração da Operação Carbono Oculto, o contrato permanece vigente. Em nota, a Polícia Militar informou que o acordo continua válido sob o aspecto jurídico e administrativo, mas confirmou que pretende promover uma nova licitação para selecionar outro fornecedor de combustíveis. A corporação, entretanto, não informou prazo para a conclusão do processo nem esclareceu se a investigação em curso será considerada na avaliação dos futuros participantes.
Marcelo de Menezes Nogueira, responsável pela assinatura do contrato em 2025, deixou o comando da Secretaria de Polícia Militar no início deste ano para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A administração atual passou a responder pela execução do contrato, enquanto as investigações sobre a Rede Sol Fuel Distribuidora continuam sendo conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e demais órgãos responsáveis.




