Senador participou de conferência em Buenos Aires, criticou a política externa do governo Lula e apresentou propostas para as relações entre Brasil e Israel caso vença as eleições presidenciais
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou neste domingo (28) da abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, realizada em Buenos Aires, na Argentina, onde apresentou propostas para a política externa brasileira em relação a Israel e fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O evento foi promovido pela Fundação dos Aliados de Israel e pela organização Amigos Americanos dos Acordos de Abraão.
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Durante o discurso, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito presidente nas eleições de outubro, pretende transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O senador também declarou que pretende aproximar diplomaticamente o Brasil de Israel e da Argentina, além de defender a adesão brasileira aos chamados Acordos de Isaac, iniciativa apoiada pelo presidente argentino Javier Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Em seu pronunciamento, o parlamentar criticou a condução da política externa do governo federal e classificou Lula como “antissemita”, em referência às declarações feitas pelo presidente brasileiro sobre a guerra na Faixa de Gaza. O governo Lula tem rejeitado acusações de antissemitismo e afirma que suas críticas são direcionadas às ações do governo israelense no conflito, e não ao povo judeu.
A proposta de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém tem relevância diplomática porque o status da cidade permanece como um dos temas centrais do conflito entre israelenses e palestinos. Atualmente, a maior parte dos países mantém suas representações diplomáticas em Tel Aviv, enquanto a questão territorial segue objeto de negociações internacionais.
Flávio Bolsonaro também defendeu que as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas. Durante o evento, o senador mencionou investigações e informações divulgadas por autoridades brasileiras e estrangeiras sobre possíveis conexões entre grupos criminosos e organizações atuantes no Oriente Médio.
As declarações ocorrem em um contexto de relações diplomáticas desgastadas entre Brasil e Israel desde 2024, após divergências públicas envolvendo a guerra em Gaza. Desde então, os dois países passaram a operar suas representações diplomáticas com encarregados de negócios, em vez de embaixadores.
Outro episódio citado por críticos do parlamentar foi o envio de uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual Flávio Bolsonaro tratou de temas relacionados ao comércio bilateral. Integrantes do governo e parlamentares da oposição classificaram a iniciativa como incompatível com a tradição diplomática brasileira de autonomia nas relações internacionais, enquanto aliados do senador afirmam que o objetivo era fortalecer o diálogo com Washington.




