Investigação enviada ao ministro André Mendonça apura suposto vazamento de informações sigilosas da Operação Compliance Zero; perito foi afastado das funções
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A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter identificado indícios de que o perito criminal federal João Cláudio Nabas elaborou dois arquivos contendo informações sobre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo o inquérito, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, os documentos, intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, teriam sido produzidos sem autorização da equipe responsável pela investigação.
A apuração foi instaurada por determinação de André Mendonça para investigar o vazamento de informações sigilosas obtidas durante a Operação Compliance Zero. Em maio, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra João Cláudio Nabas por suspeita de violação de sigilo funcional. Após a operação, o perito foi afastado de suas atividades.
Segundo a investigação, Nabas, especialista em crimes financeiros, passou a integrar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro de 2025. Registros internos da Polícia Federal indicam que ele acessou os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro em 1º de dezembro daquele ano e, três dias depois, criou os dois arquivos relacionados aos ministros do Supremo.
De acordo com a Polícia Federal, os documentos reuniam diálogos, registros e referências encontrados no aparelho do banqueiro. Um dos arquivos continha informações sobre contrato firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Conforme a investigação, o contrato previa honorários de R$ 129 milhões, e dados da Receita Federal apontariam que o escritório da advogada recebeu R$ 80,2 milhões do banco entre 2024 e 2025.
A corporação afirma que a análise dos metadados dos arquivos reforça a hipótese de que João Cláudio Nabas organizou e teria repassado informações sigilosas à imprensa. No pedido de busca e apreensão, a PF sustentou que o perito atuou “sem ordem ou consentimento das autoridades policiais responsáveis pela investigação” e direcionou sua análise para localizar “supostos elementos desabonadores de ministros desta Suprema Corte”, com a finalidade de tornar públicas as informações.
Depoimentos prestados por policiais federais que integravam a Operação Compliance Zero relatam que Nabas encaminhou aos colegas um arquivo em PDF contendo mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e, posteriormente, um áudio sugerindo que o material fosse divulgado à imprensa. Segundo os investigadores, após a negativa da equipe, ele enviou outro documento intitulado “Toffoli e esposa.pdf”, reunindo informações relacionadas ao ministro Dias Toffoli, à ex-esposa Roberta Rangel e ao resort Tayayá.
Parte dessas informações acabou sendo utilizada posteriormente pela própria Polícia Federal em pedido de suspeição apresentado ao Supremo Tribunal Federal contra Dias Toffoli.
A Polícia Federal ressalta que o inquérito não investiga jornalistas nem busca identificar fontes protegidas pelo sigilo constitucional da atividade jornalística. O foco da apuração é verificar eventual prática do crime de violação de sigilo funcional por servidor público.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de João Cláudio Nabas não havia se manifestado sobre as conclusões da investigação. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram procurados pelo O Estado de S. Paulo e não comentaram o caso.




