Tanto Flávio Bolsonaro quanto Paulo Figueiredo estão inscritos para participar da audiência. EUA já havia suspendido o tarifaço, quando o senador foi pedir a Trump novas tarifas
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Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros iniciam nesta segunda-feira (6), em Washington, uma ofensiva para tentar reverter a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros. Além dos argumentos econômicos que serão apresentados ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), empresários demonstram preocupação com a possibilidade de que o debate seja influenciado pelo ambiente político em meio ao período eleitoral brasileiro.
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As audiências públicas promovidas pelo USTR reúnem representantes do setor privado, entidades de classe, especialistas e outras partes interessadas antes da definição da política tarifária norte-americana. Entre os inscritos estão representantes de entidades empresariais brasileiras, além do senador Flávio Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo.
Segundo integrantes do setor produtivo, existe preocupação de que manifestações com forte conteúdo político possam dificultar as tratativas conduzidas pelas entidades empresariais. A avaliação é que o foco das audiências deveria permanecer nos impactos econômicos das tarifas e na relação comercial entre os dois países.
Outro fator apontado por empresários é que os participantes poderão responder a questionamentos formulados diretamente pelos representantes do USTR durante as audiências, o que aumenta a preocupação quanto aos posicionamentos que poderão ser apresentados em nome dos diferentes segmentos convidados.
A estratégia das entidades brasileiras será demonstrar que a imposição de novas tarifas tende a gerar prejuízos não apenas para exportadores nacionais, mas também para empresas e consumidores americanos. Entre os principais argumentos está a forte integração das cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente nos setores industrial e agropecuário.
Representantes da indústria pretendem sustentar que o aumento dos custos de importação poderá pressionar a inflação nos Estados Unidos, reduzir a competitividade de empresas americanas e afetar investimentos em setores estratégicos que dependem de matérias-primas e produtos brasileiros.
Além de contestar a adoção das tarifas, o setor empresarial defenderá o fortalecimento das negociações bilaterais em áreas consideradas estratégicas, como energia, biocombustíveis, minerais críticos, propriedade intelectual e segurança do abastecimento industrial.
Participam das audiências entidades representativas de diversos segmentos exportadores, entre elas associações ligadas aos setores de arroz, café, etanol de milho, açúcar e bioenergia. A expectativa é que as manifestações sirvam de base para a recomendação técnica que será encaminhada ao governo do presidente Donald Trump.
Investigação
Nos bastidores das negociações, empresários avaliam que o momento exige cautela diplomática. Fontes ligadas ao comércio exterior ouvidas por veículos nacionais apontam que a decisão final sobre a adoção ou revisão das tarifas terá natureza predominantemente política, embora seja fundamentada nas análises produzidas pelo USTR.
Especialistas em relações internacionais observam que, em processos dessa natureza, manifestações públicas de autoridades, parlamentares e lideranças políticas podem influenciar o ambiente das negociações, ainda que a definição formal permaneça sob responsabilidade do governo norte-americano. Ao mesmo tempo, ressaltam que não há elementos públicos que permitam concluir, neste momento, que a participação de qualquer inscrito, isoladamente, determinará o resultado da decisão sobre as tarifas.
A decisão do governo dos Estados Unidos é aguardada para os próximos dias e poderá afetar diversos setores da economia brasileira que mantêm os Estados Unidos como um de seus principais mercados de exportação.




