Boletim Focus aponta IPCA de 5,02% neste ano; projeção para o PIB também recua, enquanto dólar permanece estimado em R$ 5,20
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O mercado financeiro reduziu pela sexta semana consecutiva a previsão para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central. A estimativa para o IPCA, índice oficial de inflação, passou de 5,03% na semana anterior para 5,02%. Há quatro semanas, a projeção era de 5,16%.
A revisão ocorre depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião encerrada em 5 de agosto. A Selic passou de 14,25% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo promovido pelo Banco Central.
Apesar da melhora gradual das expectativas para os preços, a projeção de inflação para este ano permanece acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central. O cenário projetado pelo mercado ainda considera um ambiente de inflação pressionada, embora com trajetória de desaceleração.
Dólar caindo
Para o dólar, os analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a estimativa em R$ 5,20 no encerramento de 2026. A projeção permanece nesse nível há oito semanas.
Já a expectativa para a Selic no fim do ano continua em 13,75%, mesmo após o corte anunciado pelo Copom neste mês.
Isso significa que, caso a projeção do mercado se confirme, os juros ainda permanecerão em patamar elevado no fim de 2026, embora abaixo dos atuais 14%.
Expectativas para 2027
Para 2027, a maior alteração ocorreu justamente na previsão de crescimento econômico. O mercado reduziu a estimativa para o PIB de 1,57% para 1,52%.
As demais projeções permaneceram estáveis em relação à semana anterior.
A expectativa para a inflação do próximo ano é de 4,22%, enquanto o dólar é projetado em R$ 5,28. Para a taxa Selic, o mercado prevê 12% ao final de 2027.
Mercado mantém projeções para 2028
Para 2028, o Boletim Focus apresentou estabilidade nas quatro principais projeções.
A estimativa é de inflação de 3,80%, crescimento do PIB de 2%, dólar em R$ 5,30 e Selic em 10,50%.
A trajetória projetada pelos economistas indica, portanto, uma redução gradual da inflação e dos juros nos próximos anos, embora as previsões estejam sujeitas a alterações conforme o comportamento da economia brasileira e do cenário internacional.
Por que a Selic influencia a inflação
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados tendem a encarecer empréstimos e financiamentos e podem reduzir o consumo e o ritmo de expansão da economia.
Quando os juros diminuem, o crédito tende a ficar menos caro, favorecendo o consumo e os investimentos. O efeito, entretanto, ocorre com defasagem e depende de outras condições econômicas.
Por isso, o Banco Central precisa equilibrar o combate à inflação com os efeitos que uma política monetária restritiva produz sobre atividade econômica, emprego e crédito.
O que o Focus mostra
O Boletim Focus não é uma previsão feita pelo Banco Central. Trata-se de uma compilação das expectativas de instituições do mercado financeiro consultadas pelo BC.
Por isso, as projeções podem mudar semanalmente conforme novos dados de inflação, atividade econômica, câmbio, juros e cenário internacional sejam incorporados às análises dos economistas.



