Presidente de farmacêutica que recebeu R$ 85,5 milhões de SP doa R$ 500 mil para campanha de Tarcísio

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Fernando de Castro Marques, doou R$ 500 mil à campanha de reeleição de Tarcísio de Freitas, já foi candidato a senador. Foto Reprodução

União Química recebeu mais na gestão atual do que nos quatro anos de Doria e Garcia; empresa também aparece em atas de preços da Secretaria da Saúde em 2026

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O presidente da União Química, Fernando de Castro Marques, doou R$ 500 mil à campanha de reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 25 de agosto, enquanto a farmacêutica recebeu R$ 85,54 milhões em pagamentos do governo de São Paulo desde o início da atual gestão até 28 de agosto de 2026. O valor recebido pela empresa já supera, em termos nominais, os R$ 81,06 milhões pagos pelo Estado à União Química durante os quatro anos dos governos João Doria (PSDB) e Rodrigo Garcia (PSDB).

A coincidência temporal entre pagamentos públicos e a doação eleitoral não permite, por si só, concluir que exista irregularidade, favorecimento ou relação entre os fatos. A legislação eleitoral permite doações de pessoas físicas. O ponto que merece apuração é a existência de contratos, compras, preços e procedimentos administrativos envolvendo uma empresa cujo principal executivo figura entre os maiores doadores individuais da campanha do governador.

Os pagamentos à União Química durante a gestão Tarcísio foram de R$ 24,27 milhões em 2023, R$ 19,73 milhões em 2024, R$ 22,48 milhões em 2025 e R$ 19,07 milhões em 2026, considerando os valores registrados até 28 de agosto.

DINHEIRO PÚBLICO E DOAÇÃO ELEITORAL

Fernando de Castro Marques aparece entre os maiores doadores individuais da campanha de Tarcísio. A contribuição de R$ 500 mil corresponde a aproximadamente 4,9% dos R$ 10,25 milhões em receitas declaradas pela campanha na atualização mencionada no levantamento.

A doação ocorreu em 25 de agosto. Três dias depois, os registros consultados apontavam pagamentos acumulados de aproximadamente R$ 85,54 milhões à União Química desde 2023.

UNIÃO QUÍMICA SEGUE NO RADAR DA SECRETARIA DA SAÚDE

Além dos pagamentos já realizados, a União Química aparece em atas de registro de preços da Secretaria da Saúde em 2026. A ata de registro de preços não significa necessariamente que o valor integral será desembolsado. Trata-se de um instrumento que estabelece preços e condições para eventuais compras futuras. Nas três atas identificadas no levantamento, a empresa aparece com potencial de fornecimento de aproximadamente R$ 7,67 milhões.

Isso significa que, além dos R$ 85,54 milhões já pagos no período considerado, existem contratos ou instrumentos administrativos que podem resultar em novas compras, dependendo da efetivação das aquisições.

DOAÇÃO DE R$ 500 MIL

Fernando de Castro Marques realizou a doação eleitoral de R$ 500 mil por transferência eletrônica em 25 de agosto. O empresário é apresentado pela própria União Química como presidente da companhia. A contribuição ocorreu durante a campanha de Tarcísio à reeleição e colocou Marques entre os maiores financiadores individuais do governador. O cruzamento dos dados, entretanto, não estabelece automaticamente qualquer relação causal entre a doação e os pagamentos realizados pelo Estado.

Para determinar se existe algum vínculo relevante, seria necessário analisar quem autorizou as contratações, quais secretarias participaram dos processos, quem assinou os contratos e se houve participação de pessoas ligadas à campanha ou ao grupo político beneficiado pela contribuição.

GOVERNO DIZ QUE NÃO HÁ RELAÇÃO ENTRE DOAÇÕES E CONTRATOS

O governo de São Paulo contestou a interpretação de que os pagamentos tenham aumentado em termos reais. Segundo a administração estadual, o Estado pagou R$ 81,09 milhões à empresa entre 2019 e 2022 e R$ 85,54 milhões entre 2023 e 27 de agosto de 2026. A diferença nominal seria de 5,5%, enquanto a inflação acumulada desde 2023, segundo o governo com base no IPCA, seria de aproximadamente 18,3%.

Na avaliação do governo, portanto, a comparação nominal não permite concluir que houve aumento real dos pagamentos ou das compras realizadas pelo Estado. A administração também afirmou que as contratações obedecem às normas constitucionais e aos procedimentos previstos na legislação de compras públicas.

Sobre a doação eleitoral, o governo declarou que não existe relação ou interferência entre eventuais contribuições de pessoas físicas e as contratações realizadas pelos órgãos estaduais. Também destacou que a legislação eleitoral não proíbe esse tipo de doação.

Segundo a nota, praticamente todos os pagamentos realizados no período atual estão relacionados à área da Saúde e vinculados a processos classificados como pregão.

O QUE OS DOCUMENTOS PODEM REVELAR

O caso apresenta três conjuntos de informações que precisam ser analisados separadamente: os pagamentos realizados pelo Estado, os contratos e atas de registro de preços e a doação eleitoral de R$ 500 mil. A existência simultânea desses fatos não prova irregularidade.

Mas a transparência dos processos permite verificar se os contratos foram realizados dentro dos procedimentos legais, se os preços foram competitivos, se houve concorrência efetiva e se as compras aumentaram ou diminuíram em quantidade e valor real. Também será necessário acompanhar os próximos pagamentos e eventuais novas contratações da União Química até o encerramento da atual gestão.

O dado mais objetivo até agora é que a empresa recebeu R$ 85,54 milhões do governo paulista desde 2023 e, durante o mesmo período eleitoral, seu presidente doou R$ 500 mil à campanha de Tarcísio de Freitas.

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