Se perder o Congresso, Trump sai enfraquecido e pode perder força para governar; rejeição é de 68%

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Se também assumirem o controle do Senado, o espaço de negociação do presidente ficará mais restrito em temas como orçamento, legislação e nomeações federais. Foto WhiteHouse

Votação de 3 de novembro definirá as 435 cadeiras da Câmara e parte do Senado; pesquisa Reuters/Ipsos aponta vantagem democrata na preferência nacional, enquanto analistas veem disputa mais difícil no Senado

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As eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026, podem alterar a correlação de forças no Congresso e dificultar a agenda do presidente Donald Trump, do Partido Republicano. A votação, conhecida como midterms, ocorre na metade do mandato presidencial e definirá todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 vagas do Senado. Pesquisas nacionais indicam vantagem dos democratas na preferência partidária, mas o resultado dependerá das disputas em cada estado e distrito.

A eleição será um teste político para Trump, que enfrenta índices baixos de aprovação e insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 22 e 26 de outubro e divulgada no dia 26 registrou aprovação de 32% ao presidente. Na preferência para o Congresso, 47% dos eleitores registrados disseram optar por candidatos democratas, contra 36% que escolheram os republicanos. Entre os eleitores considerados mais propensos a votar, a proporção era de 53% para os democratas e 44% para os republicanos. O levantamento ouviu 1.679 adultos, incluindo 1.280 eleitores registrados.

Câmara dos Representantes é o principal alvo democrata

A Câmara tem 435 integrantes, todos eleitos para mandatos de dois anos. Os republicanos precisam manter a maioria para facilitar a aprovação de projetos e sustentar a agenda legislativa do governo. Se os democratas conquistarem o controle, poderão comandar comissões, convocar audiências, investigar ações do Executivo e bloquear ou modificar propostas.

As avaliações eleitorais publicadas nas semanas que antecedem a votação apontam um ambiente competitivo, com sinais favoráveis aos democratas. O Cook Political Report, que acompanha a competitividade das eleições americanas, atualizou em 16 de outubro sua avaliação das disputas pela Câmara. Na classificação do instituto, 185 cadeiras eram consideradas seguras para os democratas e 171 para os republicanos; outras 58 estavam nas categorias de disputa provável ou inclinada para um dos partidos. Essas classificações não são resultados definitivos nem garantias de vitória.

A preferência nacional pelo Partido Democrata não se traduz automaticamente em maioria parlamentar. A distribuição dos votos por distrito, a participação eleitoral, os candidatos locais e o desenho dos distritos podem influenciar a quantidade de cadeiras conquistadas por cada partido.

Senado apresenta disputa mais complexa

No Senado, a disputa envolve 35 cadeiras: 33 vagas regulares e duas eleições especiais. Os senadores têm mandatos de seis anos, e aproximadamente um terço da Casa é renovado a cada eleição de meio de mandato.

A composição das disputas estaduais torna mais difícil prever o controle do Senado apenas com base nas pesquisas nacionais. O Cook Political Report contabilizava, em sua atualização de 22 de outubro, 46 cadeiras classificadas como democratas, quatro ocupadas por independentes e 50 republicanas, considerando a classificação das vagas em disputa. O controle da Casa dependerá dos resultados nos estados competitivos e das alianças entre os partidos.

Uma vitória democrata no Senado teria consequências para a confirmação de indicados presidenciais a cargos federais e judiciais, além de alterar a condução das comissões. Se os republicanos mantiverem a maioria, Trump preservará uma base parlamentar mais favorável para aprovar nomeações e negociar sua agenda.

Custo de vida e economia influenciam a campanha

O cenário econômico está entre os fatores que podem pesar no voto. Na pesquisa Reuters/Ipsos de outubro, 73% dos entrevistados disseram que o custo de vida estava seguindo na direção errada. O levantamento também mostrou que 37% dos eleitores consideravam que os democratas lidariam melhor com a economia, contra 33% que apontavam os republicanos.

O preço dos combustíveis e a inflação ganharam relevância no debate público. A pesquisa foi realizada após a alta dos preços associada, entre outros fatores, à guerra envolvendo o Irã e às consequências das ações militares dos Estados Unidos. A insatisfação econômica pode afetar candidatos do partido que ocupa a Casa Branca, mas não determina, isoladamente, o resultado eleitoral.

Outro elemento é o nível de mobilização dos eleitores. No mesmo levantamento, 46% dos democratas entrevistados disseram estar muito entusiasmados com a votação, ante 30% dos republicanos. A disposição para comparecer às urnas pode influenciar o resultado, especialmente em disputas decididas por margens pequenas.

Uma derrota não tira Trump da Presidência, mas enfraquece

Caso os democratas conquistem a Câmara, Trump terá de lidar com um Legislativo mais disposto a fiscalizar seu governo e a contestar suas propostas. Se também assumirem o controle do Senado, o espaço de negociação do presidente ficará mais restrito em temas como orçamento, legislação e nomeações federais.

Uma eventual derrota republicana, porém, não encerra o mandato presidencial, mas enfraquece suas pautas. Trump foi eleito para um mandato que termina em janeiro de 2029. As eleições legislativas não funcionam como um voto de confiança que determine automaticamente a permanência do presidente no cargo.

A Câmara dos Representantes pode iniciar um processo de impeachment, mas a abertura do processo não significa afastamento automático. Para condenar o presidente e removê-lo do cargo, é necessária uma votação de dois terços dos senadores presentes no julgamento. Mesmo uma maioria democrata nas duas Casas não garantiria esse resultado.

O que indicam as pesquisas

Os dados disponíveis até 28 de outubro apontam uma vantagem democrata na preferência nacional para o Congresso e dificuldades para os republicanos na disputa pela Câmara. No Senado, as condições eleitorais são mais específicas e dependem dos resultados estaduais, tornando o controle da Casa menos previsível.

O resultado de 3 de novembro poderá limitar ou ampliar a capacidade de Trump de implementar sua agenda nos dois últimos anos do mandato. A dimensão dessa mudança só ficará clara após a apuração das disputas legislativas.

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