Flávio Bolsonaro continua sob investigação no STF mesmo após saída do Brasil

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Após a divulgação das mensagens, o senador negou ter negociado qualquer vantagem indevida com Vorcaro. Foto Joedson Alves/Agencia Brasil

Senador é investigado em dois casos, um relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro e outro a pagamentos para financiar filme sobre Jair Bolsonaro; passaportes foram cancelados após descumprimento de ordem judicial

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continuará respondendo a investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo diante das notícias sobre sua possível saída do Brasil com destino aos Estados Unidos. Os procedimentos envolvem suspeitas relacionadas a operações financeiras investigadas pela Polícia Federal (PF) e pagamentos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A eventual permanência do senador no exterior não encerra automaticamente os procedimentos judiciais.

Um dos casos está relacionado à investigação do advogado Willer Tomaz, suspeito de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro ligadas a negócios com empresas do setor de apostas eletrônicas. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o nome de Flávio apareceu em elementos reunidos durante a apuração, após uma secretária de Tomaz relatar uma comunicação sobre o cancelamento de uma conta associada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, investigada pela Polícia Federal.

Na semana anterior, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores relacionados a Willer Tomaz. A medida integra as providências adotadas no âmbito das investigações. O bloqueio patrimonial não representa, por si só, uma condenação criminal, e a responsabilidade de cada investigado depende da análise das provas e das decisões judiciais.

O caso Dark Horse

A segunda investigação envolve pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, produção cinematográfica dedicada à vida política de Jair Bolsonaro. O caso ganhou repercussão depois que o site The Intercept Brasil divulgou informações sobre conversas nas quais Flávio teria solicitado recursos ao então banqueiro para viabilizar o projeto.

Após a divulgação das mensagens, o senador negou ter negociado qualquer vantagem indevida com Vorcaro. Segundo sua versão, os recursos envolvidos eram privados. Em julho de 2026, Flávio foi incluído formalmente no inquérito, passando a ser investigado no procedimento.

A apuração busca esclarecer a natureza dos pagamentos, as circunstâncias das tratativas e a eventual existência de irregularidades. A inclusão em um inquérito não equivale a denúncia criminal recebida pela Justiça nem constitui prova definitiva de responsabilidade.

Foro no Supremo

Flávio Bolsonaro mantém o mandato de senador até 1º de fevereiro de 2027, quando termina a atual legislatura. A competência do STF para processar e julgar autoridades com foro por prerrogativa de função depende das regras constitucionais e da jurisprudência da Corte, inclusive dos critérios relacionados ao vínculo entre os fatos investigados e o exercício do cargo público.

O encerramento do mandato não implica necessariamente a remessa automática de um processo para a primeira instância. A definição sobre a competência deve considerar as circunstâncias de cada caso e os entendimentos aplicáveis do Supremo.

A situação processual de cada investigação, portanto, precisa ser acompanhada separadamente, sem presumir que a saída do país ou o término do mandato interrompam os procedimentos.

Passaportes cancelados após ordem judicial

A possível ida de Flávio aos Estados Unidos foi divulgada na terça-feira (27), depois de publicações nas redes sociais do investidor mexicano Simón Levy, que afirmou que o senador teria chegado ao território norte-americano. A publicação também atribuiu a operação a uma articulação envolvendo o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Essa alegação, por envolver a suposta participação de autoridades estrangeiras, exige confirmação independente.

A agência Reuters também publicou informações sobre a possível saída do senador, repercutidas pela Agência Brasil. Entretanto, a rota exata e as circunstâncias da viagem devem ser diferenciadas das informações oficialmente confirmadas pelas autoridades competentes.

Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes havia determinado que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibido de deixar o Brasil. Conforme as informações divulgadas pela Agência Brasil, o prazo para entrega terminou na manhã seguinte sem que os documentos fossem apresentados, e a Polícia Federal informou o cancelamento dos passaportes.

A ordem judicial e o cancelamento dos documentos acrescentam um novo capítulo à situação jurídica do senador. O eventual descumprimento da determinação deverá ser examinado pelas autoridades responsáveis, com observância do contraditório e do direito de defesa.

Até que haja confirmação oficial de todos os detalhes sobre a viagem e atualização documentada dos procedimentos judiciais, a informação sobre o paradeiro de Flávio deve ser apresentada com a devida atribuição às fontes. As investigações permanecem sujeitas à apuração dos fatos, e nenhuma suspeita deve ser tratada como condenação definitiva.

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