Boulos pede prisão de policial que atropelou motociclista durante abordagem em Santa Catarina

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A apuração deverá esclarecer a sequência dos acontecimentos, as circunstâncias da abordagem e as responsabilidades eventualmente identificadas. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Jovem de 24 anos sofreu ferimentos e passou por cirurgia; Ministério da Justiça cobrou esclarecimentos das autoridades estaduais, e a PM encaminhou o caso à Corregedoria

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL-SP), pediu o afastamento e a prisão de um policial militar rodoviário de Santa Catarina após uma abordagem que terminou com o atropelamento de um motociclista de 24 anos, na noite de domingo (25), na rodovia SC-403, em Florianópolis. O jovem participava de comemorações relacionadas ao resultado das eleições presidenciais de 2026 e precisou ser hospitalizado. O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pela própria Polícia Militar catarinense.

Vídeos gravados por pessoas que estavam no local mostram uma viatura da Polícia Militar Rodoviária atravessando o canteiro central, entrando na contramão e atingindo a motocicleta. Nas imagens divulgadas, o condutor é lançado ao chão após a colisão. A dinâmica completa da ocorrência e as circunstâncias que antecederam o impacto deverão ser esclarecidas pela investigação.

Em publicação nas redes sociais, Boulos cobrou providências contra o agente envolvido. “Vamos pedir o afastamento e prisão imediata deste policial criminoso de Santa Catarina! E de todos os agressores e assassinos que agiram na noite de ontem. Os bolsonaristas terão que aprender que o Brasil não é terra sem lei”, declarou o ministro.

A manifestação ocorreu antes da conclusão da apuração sobre a conduta do policial. O pedido de prisão feito pelo ministro não equivale a uma ordem judicial, cuja adoção depende das autoridades competentes e dos requisitos legais aplicáveis.

Estado de saúde do motociclista

O motociclista foi encaminhado ao Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, após o atropelamento. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, ele deu entrada na unidade às 1h20 de segunda-feira (26), acompanhado por policiais, recebeu atendimento de emergência e passou por exames e cirurgia durante a madrugada.

Em nota, a secretaria informou que o paciente permaneceu internado em um quarto, em recuperação, e que uma segunda cirurgia estava prevista para aquela semana. Até a divulgação do comunicado, não havia previsão de alta hospitalar.

Ministério da Justiça cobra explicações

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que acompanha o caso e que encaminhou ofícios à Polícia Militar, à Secretaria de Segurança Pública e ao Ministério Público de Santa Catarina, solicitando esclarecimentos imediatos.

Segundo a pasta, os desdobramentos serão monitorados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio de um grupo de trabalho específico para acompanhar a apuração de ocorrências dessa natureza.

A atuação do ministério busca obter informações dos órgãos estaduais responsáveis pela segurança pública e pela investigação. A apuração deverá esclarecer a sequência dos acontecimentos, as circunstâncias da abordagem e as responsabilidades eventualmente identificadas.

PM anuncia medidas administrativas

Em nota, a Polícia Militar de Santa Catarina informou que encaminhou os fatos à Corregedoria do Comando de Polícia Militar Rodoviária e que adotará as medidas administrativas cabíveis.

A corporação apresentou uma versão diferente sobre a sequência da ocorrência. Segundo a PM, os policiais encontraram motociclistas realizando manobras perigosas e conduzindo os veículos de forma incompatível com a segurança viária.

“Diante da situação, a guarnição iniciou a intervenção para conter um dos condutores que praticava as manobras. Durante a abordagem ocorreu uma colisão de uma das motocicletas com a viatura policial”, informou a instituição.

A versão da corporação deverá ser confrontada com as imagens disponíveis e os demais elementos reunidos durante a investigação. O material audiovisual divulgado mostra o momento do impacto, mas a responsabilização criminal depende da análise das circunstâncias da ocorrência e das provas produzidas.

O caso reúne três frentes de apuração: a investigação sobre a dinâmica do atropelamento, a análise administrativa da conduta policial e a avaliação das eventuais responsabilidades criminais. Até a conclusão desses procedimentos, o policial envolvido deve ser tratado como investigado, sem antecipação de culpa.

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