
Reuters relata viagem do senador, que não entregou os passaportes à Polícia Federal; autoridades argentinas dizem não haver registro de entrada no país
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
Jornais e agências de notícias de diferentes países repercutiram na terça-feira (27) a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, dois dias depois de sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. A agência Reuters informou, com base em relatos de um aliado do parlamentar e de uma fonte do governo norte-americano, que o senador deixou o Brasil após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF). Até o fechamento das primeiras reportagens, o trajeto e o paradeiro exato do senador ainda não estavam oficialmente esclarecidos.
A repercussão internacional incluiu veículos da Argentina, dos Estados Unidos, da Espanha e do Reino Unido. O argentino Infobae noticiou a possibilidade de Flávio ter embarcado em um avião particular a partir de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil. O governo argentino, entretanto, informou não haver registro de entrada do senador no país. Segundo a Reuters, autoridades argentinas também inspecionaram uma aeronave mencionada nas notícias e não encontraram plano de voo que identificasse a família Bolsonaro como passageira.
O jornal argentino La Nación publicou informações atribuídas a pessoas próximas ao senador sobre uma possível participação norte-americana na operação. Já o The New York Times destacou a saída do parlamentar após a derrota eleitoral e a determinação judicial relacionada aos passaportes.
Na Espanha, o El País relacionou o episódio à postura de Flávio após a divulgação do resultado eleitoral e relembrou a viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos antes da posse de Lula, em 2023. O britânico The Guardian, por sua vez, abordou os possíveis efeitos políticos do episódio sobre a direita brasileira e a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A repercussão ocorre em meio a investigações judiciais envolvendo Flávio e seu entorno. O senador é investigado em procedimentos que tramitam no STF, entre eles um caso relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro. Os investigados negam irregularidades. A existência de investigações não representa, por si só, comprovação de culpa.
A determinação judicial e o descumprimento do prazo
Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibiu de deixar o país. A ordem foi tomada no contexto de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, que também nega irregularidades.
Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal cancelou os passaportes do parlamentar após o descumprimento da determinação judicial. Na ocasião, a corporação informou não haver registro formal de saída do senador do Brasil. A Reuters publicou posteriormente informações de fontes que apontavam a chegada de Flávio aos Estados Unidos.
Antes das notícias sobre a viagem, Flávio havia afirmado, em vídeo divulgado nas redes sociais, que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula. O coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), declarou posteriormente que não sabia onde ele estava e disse ter recebido uma mensagem na qual Flávio informava que pretendia dar um tempo.
A posição do governo dos Estados Unidos
O investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy afirmou nas redes sociais que Flávio havia chegado aos Estados Unidos e atribuiu a articulação ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Essa versão foi divulgada pela Agência Brasil, mas a atribuição de responsabilidade pela operação não foi acompanhada, naquele momento, de documentação pública que permitisse verificar todos os detalhes.
Separadamente, a Reuters informou que uma autoridade do Departamento de Estado dos Estados Unidos havia confirmado que Flávio e seus familiares receberiam vistos para entrar no país. A informação sobre a autorização de entrada, contudo, não esclarece, por si só, a rota utilizada pelo senador nem as circunstâncias em que ele teria deixado o território brasileiro.
O episódio também repercutiu no cenário político nacional porque Flávio não havia reconhecido formalmente a derrota eleitoral nas primeiras manifestações posteriores à votação. O PL, partido do senador, reconheceu a vitória de Lula na segunda-feira (26).
A viagem ocorreu em um momento de tensão entre o resultado das urnas, as declarações de dirigentes políticos e as decisões judiciais envolvendo integrantes da família Bolsonaro. A confirmação da rota, das condições de entrada nos Estados Unidos e das circunstâncias do descumprimento da ordem judicial depende de informações oficiais e dos desdobramentos das apurações.


