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Operar ou não?

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Cirurgia Plástica ou Reparadora: ambas podem trazer grande melhora na auto-estima do paciente.

Cirurgia Plástica é aquela em que se deslocam tecidos (pele, gordura, músculos) de uma região para outra. Estes tecidos podem ser desprendidos totalmente ou não, podendo ainda adicionar próteses e ou outros tecidos (provenientes de doadores ou do próprio paciente) no sentido de melhorar a função da região tratada e ou sua aparência.

Quando se fala na diferença entre cirurgia plástica estética e reparadora podemos citar principalmente que a Cirurgia Plástica Estética é aquela que visa melhorar a aparência de alguma região do corpo cujo problema não causa limitação na execução de tarefas do dia a dia. Exemplo: Minilifting (corrigir flacidez do rosto). Já a Cirurgia Plástica Reparadora é aquela que visa melhorar a aparência de alguma região cuja alteração traz limitações na execução das tarefas dia a dia, ou então recuperar a função da região em questão (exemplo: queimadura; aderências causadas por queimadas que limitem movimento dos membros; lábio leporino que dificulta fala, degustação e audição), explica a Dra. Deusa Pires Rodrigues, Especialista em Cirurgia Plástica, Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Entretanto, na prática estes termos se confundem. Por exemplo: a cirurgia de abdome que retira excesso de pele é considerada uma cirurgia estética; no entanto o ‘’avental’’ de pele caindo sobre a vulva traz transtornos físicos, tais como dermatites, alergias (irritação de pele), e psicológicos (dificuldade no convívio social e relacionamento sexual) que podem caracterizar um prejuízo na função.

De acordo com o exposto, a cirurgia reparadora sempre é necessária enquanto que a estética, a necessidade é determinada pelo paciente. Ainda dentro das definições, as duas trazem benefícios enormes, seja por devolver a funcionalidade da região operada ou por elevar a auto-estima.

De forma geral, as Cirurgias Plásticas Reparadoras são necessárias sempre que houver perda de tecido (pele e gordura) com exposição dos tecidos nobres (músculos, ossos e tendões) o que pode prejudicar estes últimos, e sem a possibilidade de reparo por aproximação primária das bordas da ferida. Esta situação pode ocorrer em casos de ressecções extensas de lesões cancerosas, traumas, ou infecções disseminadas de pele e gordura. Em outra instância, está indicada na presença de anomalias congênitas (alterações de nascimento).

Qualquer que seja o caso é possível fazer:

Rotação de retalhos locais = isolar uma ilha de pele de uma região com maior mobilidade e que possa ser fechada aproximando os bordos para cobrir a ferida. Muito utilizado na correção de ressecção de câncer em face.

Rotação de retalhos pediculados à distancia = isolar uma ilha de pele e gordura, mantendo-a presa pelos seus vasos (artérias e veias) e transferi-la para cobrir área lesada não localizada nas adjacências. Utilizada na correção de mastectomia radical, em que se utiliza fuso de pele e gordura que se estende do umbigo até a virilha, e transporta-o, preso no músculo reto abdominal, até a mama a ser reparada, por debaixo da porção superior do abdome.

Transplante de retalhos retira-se totalmente uma porção de tecido, incluindo vasos, e os transfere para uma região distante, inserindo-os por microcirurgia (reinserção dos vasos do transplante em vasos da região a ser reparada). Utilizado em implantes de dedos do pé para recuperar o polegar perdido; no transplante de face e vários outros casos.

Enxertos: retirada de tecidos que uma região para cobrir ou substituir tecidos perdidos ou que não foram formados durante gestação. Amplamente utilizado em enxerto de pele após queimaduras de terceiro grau e em reconstrução de orelha utilizando cartilagem costal.

A maior tecnologia está relacionada à microcirurgia que possibilita a sutura de vasos do tecido transplantando na vascularização da região receptora, realizada sob microscopia, o que, mais recentemente, permitir até o transplante de retalhos complexos (retalhos constituídos por muitos tipos tecidos, como o que ocorreu no transplante de face).

Há de se lembrar também dos avanços no conhecimento imunossupressão pode controlar a rejeição de tecidos estranhos o que possibilitou o transplante de face. No futuro espera-se utilizar células-tronco na substituição de tecidos perdidos, comenta a Dra. Deusa.

O cirurgião plástico pode, ainda, trabalhar com especialistas de que outras áreas para reparar deformidades, mutilações e marcas no corpo de uma pessoa, o que se costuma chamar de esforço multidisciplinar. Dependendo da extensão das lesões, na verdade o Cirurgião Plástico é o último a dar sua contribuição.

Por exemplo: em caso de politraumatismo causado por acidente de carro, em que há lesão de face e traumatismo craniano, primeiro age o cirurgião geral para avaliar e estancar qualquer hemorragia, paralelamente o neurocirurgião para evitar qualquer e ou amenizar possíveis lesões intracranianas. Muitas vezes o cirurgião plástico só intervem após meses no caso de um coma, por exemplo, de coma prolongado.

Quanto aos riscos de se fazer uma cirurgia plástica, seja ela estética ou reparadora os cuidados que se deve ter, tanto do ponto de vista físico como psicológico não diferem muito de outros tipos de cirurgias eletivas (agendadas previamente). Isto porque os riscos são semelhantes ao de quaisquer outras intervenções cirúrgicas: Tipo de anestesia: em geral as intervenções feitas sob anestesia local, o risco é próximo de zero, diferentes das preocupações causadas quando á necessidade de anestesias mais profundas e demoradas. As condições de saúde do paciente também devem ser consideradas, e, se for o caso, agendar a cirurgia quando a situação for mais favorável. A idade do paciente também é um fator que é considerado quando se avalia um risco cirúrgico.

Desta forma, dependendo do arranjo destes fatores, associado com grau de beneficio que o procedimento pode trazer, a cirurgia pode até mesmo ser contra indicada em determinados casos, menciona a especialista.

Por Vera Morais em entrevista com Dra. Deusa Pires Rodrigues

DRA DEUSA PIRES RODRIGUES – Especialista em cirurgia Plástica

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