Com convites e ingressos esgotados, o Teatro Municipal José de Castro Mendes reabriu ontem (5) suas portas para um espetáculo histórico: depois de cinco anos e três meses fechado para reformas, a Orquestra Sinfônica de Campinas apresentou obras do compositor campineiro Antonio Carlos Gomes (1836-1896).
Para a Prefeitura de Campinas que, desde a posse do atual governo no início do ano vem se empenhando para devolver o teatro para a cidade, a apresentação com obras do compositor campineiro tem um significado especial: é a cidade mostrando que tem condições e talento para voltar a ser referência cultural no país.
Essa condição prosseguirá nos dias seguintes à reabertura, com espetáculos diários até o dia 23. O prefeito Pedro Serafim, que assumiu oficialmente a Prefeitura em abril deste ano, vê com muita satisfação o cumprimento da promessa feita ainda no primeiro semestre: “É o resgate do orgulho que temos de nossa cidade, da nossa condição cultural e da certeza de que estamos caminhando para um futuro melhor. O Castro Mendes volta a ser o espaço maior da nossa produção cultural, funcionando também como incentivador para novos talentos e para a reafirmação da cidade como importante polo difusor de cultura”.
Mas, para chegar até a noite de reestreia, os caminhos foram árduos. Tão árduos que, por mais de cinco anos privaram a cidade de seu maior teatro. Desgastado pelo tempo e sem que a devida manutenção fosse realizada, o prédio do Castro Mendes – adaptado do antigo Cine Casablanca na Vila Industrial – sofreu os males inerentes ao descaso. Fechado em 2007 por não oferecer mais condições seguras ao público e aos artistas, sua reforma passou por várias fases, todas elas demoradas, sem soluções práticas e adiando para um futuro cada vez mais distante a tão desejada volta às funções normais.
O governo encarou de frente os problemas que a reforma vinha sofrendo. Procurou soluções, conseguiu alocar verbas num orçamento mais que apertado e garantiu, desde o prmeiro momento, que neste ano o teatro seria entregue à população totalmente reformado.
R$ 10,3 milhões
A reforma total do Castro Mendes teve investimentos de cerca de R$ 10,3 milhões. Os detalhes da obra englobam a nova fachada, por exemplo. Ela foi toda desenhada pensando não apenas na mudança estética, mas remetendo à história da cidade e utilizando de simbologia para representar a cultura. As ranhuras existentes logo na parede da janela de entrada foram projetadas a partir da malha ferroviária e viária da região.“Antigamente, a linha férrea dividia a cidade em duas: a parte central, rica e branca, e a parte operária, depois da linha férrea, com os negros e imigrantes, que inclusive tinham seu próprio cemitério na área onde está atualmente o teatro”, explica Cláudio Orlandi, engenheiro responsável pela obra.
“Ali foi construído um cinema – o Casablanca – que, depois, foi transformado no Teatro Castro Mendes. O espaço cultural acabou sendo a conexão entre esses dois ‘mundos’ diferentes naquela época, e resgatar isso é respeitar a história do lugar e da região onde ele está inserido”, ressalta ele.
A única janela existente na fachada do novo prédio também tem significado. O arquiteto responsável pelo projeto, Otto Felix, pensou nela como uma conexão entre o mundo lúdico (o próprio teatro) com a realidade, já que a janela servirá de luz natural para o “foyer” (área interna do teatro, antes de se entrar na plateia).
Cubos amarelos na parede ao lado da entrada principal serão o ponto de partida para a criação de iguais modelos em outras regiões da cidade, fazendo uma espécie de “conexão cultural” entre pontos diferentes de Campinas, todos remetendo ao novo teatro, onde a cultura campineira teve boa parte de sua história vivida. Três desses cubos estarão na Praça Corrêa de Lemos, em frente ao teatro, totalmente revitalizada também pelo atual governo.
Por dentro
Dentro, o Castro Mendes impressiona não apenas pela grandeza do espaço, mas também pela preocupação com os mínimos detalhes. Inicialmente, a plateia contará com 770 lugares e, entre eles, poltronas adaptadas para deficientes e para obesos, conforme determina a legislação.
A iluminação – tanto da plateia quando cênica – será mais eficiente e mais econômica. Os equipamentos de som e a mesa de som digital também são de última geração e estão entre as novidades do novo teatro. Toda a acústica interior foi projetada e executada sob a consultoria de José Augusto Nepomuceno, responsável por projetos acústicos em diversos espaços culturais brasileiros, como por exemplo, dos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
O ar condicionado central tem tecnologia “inteligente”, pois controla o gasto energético enquanto climatiza o ambiente. O equipamento é tido como sustentável, já que não emite gases prejudiciais à camada de ozônio.
Os camarins, novos e confortáveis, serão em número de oito. Um deles terá acessibilidade 100%, inclusive para o palco, através de uma plataforma mecânica. Dois outros serão maiores (coletivos) para serem utilizados por grupos. Todos contarão com espelhos iluminados com luzes embutidas e frias, gerando melhor rendimento sem risco de acidentes.
Cumprimentos
Pedro Serafim fez questão de comentar a paciência da população pela espera do término da obra. Foram cinco anos sem o teatro e com a praça se deteriorando. “Agora, com tudo pronto e devolvido à população, esperamos que ela se aproprie do espaço que vamos deixar qualificado e pronto para as mais diversas manifestações artísticas”.
Por fim, o prefeito cumprimentou os que trabalharam pela obras: “Com a reinauguração, posso dizer que todos nós, desde o mais humilde ajudante ao mais credenciado técnico, estamos de parabéns. Cumprimos nossa promessa, mas, muito mais que isso, a cidade pode começar a se orgulhar novamente de seus espaços culturais”, afirmou Serafim.
Programa da reabertura do Teatro Municipal José de Castro Mendes
Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas
Regência Vitor Hugo Toro
Antonio Carlos Gomes (1836/1896)
Lo Schiavo, Alvorada – Canções (Orquestração Roberto Duarte)
Addio
Mon Bonheur
Mama Dice
Colombo, La Reggia – Aria: Vitoria! Vitoria!
Solista: Niza de Castro Tank (soprano)
Intervalo
Colombo
Introdução
Aria – Atto I – Dove Sono
Dueto – Atto I – Tal, Cui non ha la Terra
Aria – Atto I – Era un Tramonto d’Oro
Dueto – Atto I – E Allor Perchè
Dueto – Atto II – Non Fosti mai si Bel
Intermezzo – Atto IV – A pied tuo
Inno a Nuvo Mundo – Slave Immortal Conquistador!
Participações
Nadia Zanotello (soprano)
Martin Muehle (tenor)
Sebastião Teixeira (barítono)
Carlos Eduardo Marcos (baixo)




