Os estudantes da Unicamp decidiram encerrar a greve após uma assembleia realizada na noite desta terça-feira (2) no campus. A greve dos estudantes teve início no dia 10 de maio.
A estudante Carolina Bonomi, uma das coordenadoras do movimento estudantil, divulgou uma nota informando sobre o fim do movimento:
Acabou uma greve estudantil histórica na Unicamp.
Uma greve difícil. Muitos haters vão dizer que saímos perdendo mas o que tivemos nesse greve foram vitorias.
Conseguimos:
-600 vagas da moradia;
– 3 audiencias publicas e 3 reunioes do no CONSU sobre cotas;
– reformulação no SAE;
-reforma na moradia
E o mais importante: o ganho politico. Nunca nessa universidade se pautou tão fortemente a questão das cotas. Colocamos essa pauta como a ordem do dia para a próxima consulta para reitoria. Mostramos as fissuras das relações que permeiam estudantes e professores. Mostramos bem esses contornos e onde estão as estruturas de poderes dessa universidade.
Até conseguimos levar o pessoal do grupo da Unicamp irem na assembleia, para ensinar e compartilhar um pouco sobre o que são ações políticas em espaços deliberativos.
E o maior ganho: os laços que criamos uns com os outros. Mostramos para nós mesmos como somos fortes e determinados. Mostramos que não queremos desigualdades e nem preconceitos. Mostramos que queremos discutir outros projetos de universidade e de sociedade e vamos permanecer unidos a cada dia.
O movimento Unicamp Livre, contrário a greve, também divulgou nota após a assembleia:
É com muita alegria que comunicamos o resultado da votação que acabou de acontecer em assembleia – os alunos da Unicamp NÃO ESTÃO MAIS EM GREVE. Assim, se encerra esse ciclo de violências, brutalidades, confusões e incertezas que só trouxeram prejuízos e nenhum ganho substancial aos estudantes. Esperamos que, a partir de agora, se inicie um processo de pacificação e volta da normalidade na Unicamp.
Queremos agradecer a todos que nos apoiaram e que, de alguma forma, nos ajudaram a sermos quem somos hoje.
O Unicamp livre atuou de várias formas durante o período de greve. Criamos e ajudamos diversos núcleos contrários a greve em diversos institutos, além, é claro, da divulgação nas redes sociais, e de inúmeras aparições na mídia.
Mas não foi o UL que tirou a Unicamp da greve, fomos todos nós! Afinal, a Unicamp é de todos nós!
Nosso foco agora é incentivar o debate de ideias, a tolerância e o desenvolvimento de métodos e projetos inovadores para melhorarmos os canais de representatividade estudantil. Queremos encontrar soluções reias para os inúmeros problemas com os quais convivemos, com novas formas, mais eficientes e pacíficas, de reivindicação de demandas.
Mais uma vez obrigado a todos!
Diretoria do UL.
Anistia
Um documento assinado por 453 professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) cobra a apuração dos casos de violência física ou moral e a aplicação de sanções a alunos grevistas, nos casos em que os abusos forem comprovados, conforme prevê o regimento da universidade. No abaixo-assinado, os docentes também pedem que a Unicamp não conceda anistia para tais atos.
As reivindicações seriam entregues ao reitor nesta terça-feira durante a reunião do Conselho Universitário (Consu), mas a sessão – marcada por tumulto e depredação – foi suspensa antes que os docentes oficializassem os pedidos. A coleta de assinaturas deve continuar até a próxima semana, quando a reunião do Consu será retomada.
Em meio às denúncias de violência sofrida por professores, alunos e funcionários contrários à greve, aos piquetes e às constantes medidas para impedir o acesso à sala de aula, eles decidiram pedir de forma oficial um respaldo da reitoria.
O embate envolvendo professores, alunos e funcionários vem se arrastando desde o dia 10 de maio, quando teve início o movimento de greve e ocupação dos estudantes. Ao menos dois episódios ganharam repercussão nas redes sociais.
Na semana passada, dois professores recorreram à Justiça e ao Ministério Público cobrando apurações dos casos de violência e as medidas que estão sendo adotadas pela reitoria para pôr fim ao movimento. O MP deu um prazo de dez dias para a Unicamp se explicar. O prazo termina no dia 15. A Unicamp informou nesta terça que ainda não foi notificada pelo Ministério Público. Em nota, reiterou que compartilha da preocupação manifestada pela comunidade universitária em relação aos excessos cometidos e vem adotando medidas tanto em âmbito institucional quanto judicial.
Estudantes invadem sala e tumultuam reunião do Conselho Universitário
A reunião do Consu realizada nesta terça foi marcada por protestos, episódios de tumulto e depredação. Alunos quebraram vidros da sala a pedradas. A sessão, na qual foram discutidas as pautas internas da universidade, começou às 9h e terminou por volta das 20h. Pouco antes do início, um grupo de professores contrários à greve fez um ato em frente à reitoria. Eles levaram faixas e cartazes com os dizeres “quem ensina merece respeito”, “direito de não fazer greve”, “professor usar sua cátedra para pregar ideologia extremista é covardia” e “queremos trabalhar”.
Após o início da reunião, o clima ficou tenso. Apesar das categorias estarem representadas no Consu, um grupo de estudantes e funcionários manifestantes decidiu entrar. Eles chegaram a forçar a porta para ter acesso à sessão. Dentro, gritaram palavras de ordem. “Tadeu, cade você? Eu vim aqui só para te ver” e “não tem arrego, você tira o meu salário que eu tiro o seu sossego”, fazendo referência ao comunicado em que a reitoria da Unicamp informa que os dias não trabalhados durante o movimento grevista serão descontados.
A Unicamp deu início na segunda-feira ao segundo semestre letivo e reiterou o calendário já apresentado, segundo informou em nota “entendendo que, para as unidades de ensino afetadas pelo movimento grevista em distintas intensidades, a fórmula que flexibiliza as datas é a mais adequada para a solução das perdas didáticas do 1º semestre e a realização do 2º período”.
A reitoria também orientou os professores para que nas dependências onde eventualmente ocorrerem manifestações ou constrangimentos, não haja insistência ou discussão, suspendendo ou cancelando a atividade naquela ocasião, e comunicando o fato à respectiva Coordenação de Graduação ou de Pós-Graduação, uma vez que as atividades didáticas só poderão ser reiniciadas com a garantia das condições adequadas de funcionamento. A Unicamp confirmou os descontos de salário dos servidores e disse que a medida foi tomada após diversas negociações com o STU.
Afirmou que agiu conforme lei de greve e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior do Trabalho. A Unicamp afirmou em nota que durante reunião do Consu já prevista no calendário anual, o reitor abriu espaço para que representantes do STU e do DCE se manifestassem perante os conselheiros.