
A operação conjunta de polícias civis resultou ao longo do dia de ontem em 251 prisões em 284 cidades de 24 estados e do Distrito Federal, segundo balanço divulgado pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública.
Em Sousas no bairro Jatibaia, um sargento aposentado foi preso e alegou desconhecer que a prática era crime. Na casa foram apreendidos materiais.
Promovida pelo ministério em parceria com as polícias civis dos estados envolvidos, a ação tem como foco o combate à pornografia infantil. A operação investigou pessoas que compartilhavam ou armazenavam conteúdos relacionados a crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes.
Segundo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, mais de 1 milhão de arquivos (entre fotos, vídeos e outros documentos obtidos em ambientes virtuais) com conteúdos relacionados a crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes foram analisados antes da deflagração. A primeira fase da operação ocorreu em outubro do ano passado.
Do total de prisões, 128 foram na região Sudeste, 47 no Nordeste, 38 no Sul, 21 no Centro-Oeste e 17 no Norte. Ao todo, foram expedidos 579 mandados. O ministério informou que segue monitorando a ação das equipes envolvidas, podendo haver novos números de prisões.
A diretora do DHPP, Elisabete Sato, ressaltou que todos os presos eram homens, casados, com filhos e na faixa etária dos 40 anos. O mais jovem deles tinha 17 anos e o mais velho, 85. Foram presos médicos, servidores públicos, técnicos em informática e professores.
Como o crime de armazenamento é afiançável, a maior parte já pagou a fiança arbitrada pelo delegado de polícia, passando a responder ao processo em liberdade. Já o crime de compartilhamento de imagem não permite o pagamento de fiança.
Foram apreendidos 2.627 objetos como CPUs, notebooks, pen drives, celulares, CDs e DVDs. Todos os equipamentos serão encaminhados para a perícia técnica. A delegada informou que a operação teve como alvo pessoas que acessavam sites de pornografia infantil com muita frequência. “Não é possível mais que toleremos estas situações em que crianças, extremamente indefesas, tenham imagens divulgadas de uma maneira tão ostensiva”, disse Sato.
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Júlio Gustavo Vieira Guebert, alerta que as pessoas que receberem esse tipo de material devem avisar as autoridades policiais. “Isso é repugnante. Uma criança foi vítima disso. A sociedade não pode admitir que uma criança seja vítima de qualquer crime, especialmente os de abuso sexual”, ressaltou.
Os investigados responderão pelo crime de adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registo que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente, com penas de 1 a 4 anos de prisão.





