Bets são apresentadas como entretenimento, mas podem provocar perdas financeiras, superendividamento e impactos na saúde mental de milhares de famílias brasileiras
<OUÇA A REPORTAGEM>
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
O crescimento do mercado de apostas esportivas no Brasil tem sido acompanhado por um aumento dos casos de endividamento e de famílias afetadas pelo jogo compulsivo. Embora as plataformas sejam divulgadas como forma de entretenimento, muitos usuários enxergam nas apostas uma oportunidade de complementar a renda ou obter ganhos rápidos, expectativa que nem sempre se confirma.
Levantamentos realizados por instituições de pesquisa mostram que uma parcela significativa dos apostadores acredita que as chamadas “bets” podem funcionar como investimento ou alternativa de renda. Especialistas em finanças e saúde mental, porém, alertam que as apostas são jogos de azar, nos quais o risco de perda faz parte do modelo de negócio das empresas.
Impatos Sociais
Além dos prejuízos financeiros, o vício em apostas tem provocado impactos sociais cada vez mais visíveis. Relatos de famílias endividadas, perda de patrimônio, rompimento de relacionamentos e adoecimento psicológico tornaram-se mais frequentes desde a popularização das plataformas digitais de apostas.
Pesquisadores destacam que pessoas em situação de vulnerabilidade econômica tendem a ser mais suscetíveis à promessa de ganhos rápidos. O acesso facilitado por aplicativos, campanhas publicitárias com atletas e influenciadores e a possibilidade de apostar a qualquer momento aumentam o risco de comportamento compulsivo.
O governo federal passou a regulamentar o setor e estabeleceu novas exigências para o funcionamento das empresas de apostas, incluindo regras para publicidade, identificação dos usuários e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. Especialistas, entretanto, defendem que a regulamentação também seja acompanhada de campanhas permanentes de educação financeira e conscientização sobre os riscos do jogo compulsivo.
ENDIVIDAMENTO FAMÍLIAS
O crescimento das apostas esportivas no Brasil tem sido acompanhado pelo aumento do endividamento entre os apostadores. Levantamento do Procon-SP, realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 com 2.724 consumidores, apontou que quatro em cada dez apostadores (39,7%) afirmaram ter contraído dívidas em razão das bets. A pesquisa também mostrou que 30% dos entrevistados gastam mais de R$ 1 mil por mês com apostas online. O perfil predominante é de homens (61,8%), com até 44 anos de idade (82,5%) e renda de até dois salários mínimos (38,6%).
Outro levantamento, realizado pelo PoderData, revelou que o percentual de apostadores que dizem ter se endividado mais que dobrou em um ano, passando de 16% para 35% entre 2024 e 2025. Entre os homens, o índice chega a 43%, evidenciando o impacto financeiro crescente das plataformas de apostas.




