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Câmara debate manejo ambiental ou eutanásia de capivaras; abate de animais no Alphaville

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camara-campinas-2Organizar grupos para que haja um protocolo entre Estado e município para as medidas de manejo de capivaras na cidade e a realização de um workshop sobre o tema foram os encaminhamentos da reunião extraordinária realizada nesta segunda-feira (16/11), pela Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Câmara de Campinas, para debater a Febre Maculosa e o controle do carrapato-estrela.

A eutanásia das capivaras entrou na pauta após a decisão do Condomínio Alphaville, em Campinas, de abater 16 delas –  todos os animais foram mortos com a autorização da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), depois de exames feitos indicarem que os roedores tinham anticorpos para febre maculosa.

O diretor do Departamento de Bem Estar Animal (DPBEA), Paulo Anselmo Felipe, questionou a letalidade da bactéria Rickettsia rickettsii, o monitoramento da sazonalidade de carrapatos infectados e a prevalência na população de carrapatos, além do protocolo para solicitar e pedir apoio dos órgãos municipais para minimizar a letalidade. Ele sugeriu a formação de um grupo de trabalho para que o município e o Estado decidam como será o manejo dos animais.

“Há vários aspectos técnicos que precisam ser analisados, mas nesse momento é preciso que vários órgãos tenham um único protocolo antes de tomar qualquer decisão a respeito do tema”, disse.

O vereador Paulo Bufalo (PSOL) também defendeu um protocolo único para esses casos. “Nós não temos um protocolo nem de saúde e nem político para resolver este problema. Agora que uma parte das capivaras já foi abatida, acredito que a grande solução é ter um protocolo para que se resolva esses casos”, ponderou.

A presidente do Conselho Municipal de Defesa e Proteção Animal, Ingrid Menz, que é médica-veterinária, acredita que o problema não é a capivara e sim a forma como o diagnóstico da doença é feito. “É uma doença que tem tratamento e tem cura, mas tem sintomas de várias outras doenças e numa localidade como essa nossa, é muito difícil a suspeita da febre maculosa, pensa-se sempre em dengue e não em febre maculosa. É preciso ter um investimento maior em estar comunicando todos os municípios com áreas com carrapato e com capivara”, disse.

A diretora do Centro de Manejo e Fauna Silvestre da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Monique Silva apresentou as diretrizes técnicas para o manejo ambiental, controle da procriação das capivaras e prevenção da transmissão da febre maculosa, infecção aguda causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, através do carrapato-estrela. De acordo com ela, é preciso que os interessados apresentem um projeto técnico com diagnóstico ambiental da área para que o órgão analise a necessidade de intervenção. “Se a gente não se sentir seguro de que a eutanásia trará segurança no controle da febre maculosa, nós não autorizamos isso. Pode ser que após esta análise decidimos que não vamos intervir, vamos procurar o caminho da convivência.”, garantiu.

Autorização para o abate continua valendo

A autorização para o abate das capivaras do condomínio Alphaville, em Campinas, está em vigor. Esta foi a informação da diretora do Centro de Manejo e Fauna Silvestre da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Monique Silva, durante o debate sobre Febre Maculosa e o controle do carrapato-estrela. “Ela foi suspensa para melhor análise do projeto técnico apresentado, mas como tudo estava em ordem, a autorização continua valendo”, disse.

No início deste mês foi autorizado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA) o abate das capivaras após exames realizados pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) confirmarem que os roedores tinham anticorpos para febre maculosa. Até o dia 6, 16 animais foram mortos.

O médico-veterinário da SUCEN Adriano Pinter defendeu a decisão do órgão no caso do Alphaville, mostrando o exemplo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, que decidiu pela esterilização dos animais. “ Na Esalq não era garantido que a retirada dos animais terminaria com a população da espécie porque novas viriam. O abate só vai ser preconizado, caso não haja previsão de reintrodução de nova população de capivaras”, falou.

A autorização foi dada ao condomínio para evitar a circulação da bactéria causadora da doença entre moradores do local. A execução das capivaras foi feita por um médico veterinário contratado pelo próprio condomínio. O abate de capivaras no condomínio Alphaville gerou polêmica entre moradores, ativistas e entidades protetoras dos animais.

“Que olhar novo a gente vai ter sobre a questão animal?”, indagou o presidente da Associação Amigos dos Animais de Campinas e vice-presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Flávio Lamas. Ele lembrou que são 32 casos de febre maculosa no Estado e que o abate não resolveu o problema da cidade em 2011, quando 13 capivaras foram abatidas no Lago do Café, após autorização do Ibama, sob o argumento de que estavam infestadas com o carrapato-estrela que, infectado, transmite a febre maculosa ao ser humano.

“Existe algum Termo de Ajustamento de Conduta que garanta que nova população de capivaras não voltará ao Alphaville? No Lago do Café vidas foram perdidas e hoje há outros animais que estão lá”, protestou.

Em junho deste ano, a Sociedade Alphaville Campinas Residencial recebeu autorização da Secretaria de Meio Ambiente para capturar, implantar chips e examinar o sangue das capivaras que habitam no local, além de outros procedimentos. Uma das possibilidades era a castração dos animais. No entanto, a eutanásia foi autorizada após a sorologia feita pela Sucen dar resultado positivo para a febre maculosa.

A diretora do Serviço Regional de Campinas da SUCEN Renata Capuralli Maio disse que o órgão teve que agir com uma situação posta. “Se não se retirar as capivaras de lá e acontecer um óbito como a gente fica? Nós estamos do mesmo lado e precisamos sim, sair com propostas, pois as opções que temos hoje não são as melhoras porque ninguém quer matar bicho”, ponderou.

O vice-presidente do Conselho de Administração da Sociedade Alphaville Residencial desabafou. “Foram faladas muitas inverdades sobre o Alphaville, ninguém é favorável a nenhum tipo de eutanásia, foi uma opção técnica”, falou.

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