Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e ex-diretor jurídico do Banco Master mencionam pagamento mensal associado ao advogado Kevin Marques; defesa afirma que ele recebeu R$ 281,6 mil por serviços prestados à Consult e nega relação com o banco
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
O conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entregue na segunda-feira (14) aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), registra conversas nas quais o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, associa o nome do advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, a um pagamento de R$ 500 mil mensais. As mensagens foram trocadas entre Rennó e Vorcaro e envolvem a empresa Consult Inteligência Tributária.
Em uma conversa de 4 de julho de 2025, Rennó encaminha novamente a Vorcaro os contatos de Kevin Marques e faz referência ao valor: “Esse aqui – 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkkk”. Vorcaro responde apenas “Kkkkkkk”. Em 8 de agosto daquele ano, Rennó volta ao assunto ao afirmar que, entre os “pagamentos essenciais”, estaria faltando a Consult, reenviando os mesmos contatos. O conteúdo das mensagens, conforme divulgado, não esclarece por si só a natureza, a efetivação ou o destinatário final do valor de R$ 500 mil mencionado.
A documentação também registra uma conversa anterior, de 1º de outubro de 2024, quando Rennó informa a Vorcaro sobre uma decisão do STF favorável a empresas do setor sucroalcooleiro. Na ocasião, Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques votaram a favor da tese, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. Vorcaro tinha interesses empresariais relacionados ao setor. Na sequência, Rennó encaminha os contatos de Kevin Marques.
A defesa de Kevin Marques contesta qualquer relação financeira com o Banco Master ou com Vorcaro. Em nota, afirma que o advogado “não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro” e que recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A defesa também sustenta que sua atuação para a empresa não teve relação com o STF.
A própria Consult aparece em documentos relacionados ao caso Master. Segundo levantamento publicado anteriormente pela Folha, a empresa recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025, enquanto Kevin Marques teria sido subcontratado pela Consult e recebido 11 parcelas de R$ 25 mil. A diferença entre esses valores e a referência de R$ 500 mil mensais registrada nas mensagens é justamente um dos pontos que exigem esclarecimento documental sobre a origem e o destino dos pagamentos.
O episódio amplia a lista de conexões entre pessoas próximas a ministros do STF e o grupo empresarial de Vorcaro. O conteúdo do celular já havia revelado outros contratos e relações profissionais envolvendo escritórios de advocacia e pessoas ligadas a integrantes da Corte. A existência dessas relações, entretanto, não constitui isoladamente prova de irregularidade ou de influência sobre decisões judiciais.




