Em petição apresentada na véspera do julgamento da Petição 16.662, ministro aponta falhas na cadeia de custódia, questiona a origem de relatório de inteligência e acusa colega de avançar sobre atribuições da Polícia Federal.
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o ministro André Mendonça de ter utilizado, na investigação relacionada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, um relatório de inteligência cuja elaboração teria contado com auxílio de um “órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”. A manifestação foi protocolada na noite de segunda-feira (14), um dia antes da sessão extraordinária do Plenário do STF que analisará a Petição 16.662, sob relatoria de Mendonça.

Na petição, composta por 121 itens, Moraes questiona a origem e a cadeia de custódia do documento. Segundo o ministro, os metadados indicariam que o relatório foi aberto e concluído no mesmo dia no sistema da Polícia Federal, circunstância que, em sua avaliação, levantaria a hipótese de que o material tenha sido produzido fora da corporação e posteriormente inserido no sistema oficial. Moraes classifica o episódio como uma possível “tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026” e afirma que as conclusões apresentadas contra ele seriam baseadas em “meras conjecturas”.

O ministro também contesta a tentativa de vinculá-lo diretamente ao empresário Daniel Vorcaro. De acordo com a manifestação, 47 das 52 anotações utilizadas para estabelecer essa ligação teriam sido extraídas de um bloco de notas encontrado no celular de Vorcaro. Moraes sustenta que essas anotações não aparecem em conversas do WhatsApp e que não haveria identificação do destinatário capaz de comprovar que as mensagens foram efetivamente encaminhadas a ele.

Outro ponto levantado na petição envolve a atuação de Mendonça na condução das investigações. Moraes cita relatórios de inteligência da própria Polícia Federal que, segundo sua manifestação, apontariam um “avanço progressivo” do ministro sobre atribuições policiais. A acusação é de que Mendonça teria assumido uma postura incompatível com a função jurisdicional, aproximando-se da condição de “juiz investigador”.

Moraes afirma ainda que equipes policiais teriam sido pressionadas para incluir seu nome e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma eventual colaboração premiada relacionada ao caso Master. A manifestação também menciona uma suposta discussão sobre concessão de benefícios extrajudiciais ao empresário Maurício Camisotti, além de alegadas ameaças envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A disputa ocorre justamente às vésperas do julgamento da Petição 16.662. No processo, a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela nulidade das apurações e pelo arquivamento do procedimento envolvendo Moraes. A decisão do Plenário deverá avaliar não apenas o destino da investigação, mas também a validade dos elementos utilizados para sustentar as suspeitas apresentadas no procedimento.

O episódio coloca em confronto duas questões institucionais de enorme peso: os limites da atuação de um ministro do STF na condução de uma investigação e a necessidade de preservação da cadeia de custódia e da origem verificável das provas. As acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça, entretanto, constituem a versão apresentada pelo ministro na petição e ainda precisam ser confrontadas com os documentos integrais do processo e com a manifestação de Mendonça e dos demais envolvidos.





