Relatório indica movimentações atípicas em operações de crédito consignado entre 2024 e 2025; Exército nega prejuízo aos cofres públicos

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Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou indícios de irregularidades em repasses que somam R$ 39 milhões do Exército Brasileiro ao Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. As operações ocorreram entre agosto de 2024 e outubro de 2025, no âmbito de contratos para oferta de crédito consignado a militares da ativa e da reserva.
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Segundo a apuração publicada pela Folha de S.Paulo, o Coaf apontou movimentações consideradas atípicas, como débitos realizados de forma imediata após o recebimento dos valores e a concentração de recursos em uma mesma titularidade, o que pode dificultar a identificação de beneficiários finais. O órgão atua na prevenção e detecção de crimes como lavagem de dinheiro.
A investigação se concentra nos repasses realizados entre 2024 e 2025, interrompidos após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro. O encerramento das atividades da instituição financeira ocorreu em meio ao aumento do escrutínio sobre suas operações.
Em nota enviada à reportagem, o Exército afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos, uma vez que os valores referem-se a descontos diretos nos contracheques de servidores ativos e aposentados que contrataram empréstimos consignados. Nesse modelo, os recursos são repassados às instituições financeiras como pagamento das parcelas assumidas pelos próprios militares.
Conexões e investigações paralelas
O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações envolvendo o Banco Master. Reportagem do Brasil de Fato apontou relações da instituição com processos ligados à privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas [Republicanos].
Além disso, dados indicam que o banco recebeu aportes de ao menos 18 fundos previdenciários públicos. Um dos maiores investimentos, de R$ 960 milhões, foi realizado durante a gestão do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro [PL], que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico nas eleições de 2022.
As investigações também atingem a gestão de fundos, com a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, em operação da Polícia Federal que apura a destinação desses recursos ao Banco Master. O avanço das apurações deve esclarecer se houve irregularidades nas operações financeiras envolvendo recursos públicos e privados.




