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CPI da pandemia liga esquema de Bolsonaro com empresas para produção da hidroxicloroquina

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Era dinheiro. Não fui claro, vou ser mais claro aqui: corrupção, passando a mão, esquema, advocacia administrativa. Já temos prova disso na CPI. O negócio da hidroxicloroquina não tem nada de devoção, de teoria médica, de alternativa, coisa nenhuma disso. Era esquema.” (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Era dinheiro. Não fui claro, vou ser mais claro aqui: corrupção, passando a mão, esquema, advocacia administrativa. Já temos prova disso na CPI. O negócio da hidroxicloroquina não tem nada de devoção, de teoria médica, de alternativa, coisa nenhuma disso. Era esquema.”

Essa foi a declaração do vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), no último domingo (6) à TVT (assista abaixo), gerou expectativas sobre a existência de documentos que expliquem o real motivo de Jair Bolsonaro ser tão dedicado à promoção da cloroquina e outras drogas sem eficácia contra a Covid-19.

Nesta quinta-feira (10), a primeira evidência veio à tona, em reportagem de O Globo. O jornal teve acesso a uma conversa entre Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na qual o brasileiro pediu que o país asiático liberasse a exportação de insumos para que empresas brasileiras pudessem produzir a hidroxicloroquina. No telefonema, ocorrido em abril de 2020, Bolsonaro cita nominalmente duas companhias a serem beneficiadas: a EMS e a Aspen. Ambas, ressalta a reportagem, “são comandadas por empresários que têm relações com o bolsonarismo”.

Além de ser peça fundamental da busca pela imunidade de rebanho, a propaganda que Bolsonaro fez da cloroquina pode ser considerada uma das mais bem-sucedidas campanhas de marketing da história. Levantamento da Agência Pública mostra que, entre março de 2020 e março de 2021, as farmácias brasileiras venderam 52 milhões de comprimidos das drogas propagandeadas pelo atual presidente. Só a hiroxicloroquina vendeu 32 milhões de cápsulas.

Como a droga funciona contra a malária e doenças autoimunes, mas não contra o novo coronavírus, sempre se perguntou por que Bolsonaro nunca deixou de recomendar o uso dela e de outras drogas do chamado Kit Covid. Agora, sabe-se que, no início da pandemia, o mesmo Bolsonaro que ignoraria a oferta de vacinas pegou o telefone para que seus amigos pudessem fabricar mais do remédio que ele mesmo promovia. Nesse caso, os amigos são Renato Spallicci e Carlos Sanchez.

Spallicci é presidente da Aspen e, como lembra O Globo, é um notório apoiador de Bolsonaro. “Ele declarou voto no atual presidente em 2018 e tinha várias postagens nas suas redes sociais com ataques a seus adversários e defesa do governo”, informa o jornal. Já Sanchez, CEO da EMS, “já foi recebido por Bolsonaro para reuniões no Palácio do Planalto e participou recentemente de jantar com empresários realizado em São Paulo no qual o presidente foi ovacionado”.

CPI fecha o cerco

A revelação feita pelo jornal levou o senador Rogério Carvalho (PT-SE), membro da CPI da Covid, a denunciar Bolsonaro, junto à Procuradoria-Geral da República, Bolsonaro por tráfico de influência em transação comercial internacional. Além disso, a CPI da Covid já aprovou a convocação de Spallicci para depor perante os senadores.

A comissão começa assim a investigar o que pode acabar por se mostrar um dos casos de corrupção mais escandalosos da história mundial. Sim, porque, se ao fim dos inquéritos ficar comprovado o que as evidências fortemente sugerem, a promoção da cloroquina foi um negócio que não deu simplesmente lucro a empresas. Foi mais que isso. Gerou dinheiro à custa de vidas humanas.

A relação do empresariado com a defesa da cloroquina, e de que forma essa relação levou Bolsonaro a agir como agiu, está no radar dos integrantes da CPI. Como lembrou Rogério Carvalho na audiência com a médica Nise Yamaguchi, em 1º de junho, Bolsonaro passou a defender o uso do medicamento após se reunir com o megaempresário Donald Trump, quando este ainda presidia os Estados Unidos.

“Setores da economia global reagiram de forma muito pouco comprometida com a vida. E nos Estados Unidos, o Ellon Musk, o dono da Oracle, e outras personalidades que viram o risco das ações de suas respectivas empresas desabarem, iniciaram o debate da cloroquina. (…) A tese da hidroxicloroquina não foi gestada no Brasil, mas nos Estados Unidos, assumida pelo Trump. Em março, vai o presidente do Brasil aos Estados Unidos e volta com a ideia de que a hidroxicloroquina salva vidas”, ressaltou Carvalho. Que a CPI continue as investigações. E que a verdade liberte os brasileiros de Bolsonaro.

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