Notícia-crime foi enviada a Moraes e encaminhada à PGR após publicação de conteúdo que simula falas de magistrados

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, enviou uma notícia-crime ao colega Alexandre de Moraes pedindo a investigação do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no âmbito do inquérito das fake news. O caso tramita sob sigilo e foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou.
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Segundo a apuração publicada pela colunista Mônica Bergamo, a medida foi tomada após Zema divulgar, no mês passado, um vídeo nas redes sociais em que bonecos representam ministros do STF em um diálogo fictício. O conteúdo faz referência ao resort Tayayá, anteriormente ligado ao ministro Dias Toffoli e posteriormente adquirido por um fundo associado ao empresário Daniel Vorcaro.
Na peça citada na notícia-crime, personagens simulados fariam menções a decisões judiciais e favores pessoais. Gilmar Mendes sustenta que o material extrapola a crítica política e atinge diretamente a honra dos ministros e da própria Corte. “Vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”, afirma o ministro no documento.
O magistrado também aponta o uso de tecnologia para simular falas inexistentes. Segundo ele, o vídeo utiliza “sofisticada edição profissional” e mecanismos de “deep fake” para criar diálogos fictícios com o objetivo de comprometer a integridade institucional do STF e gerar promoção pessoal.
Alcance e escalada de tensão
De acordo com a manifestação, o conteúdo foi publicado em perfis de Zema com grande alcance — mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 570 mil na plataforma X — e acabou sendo replicado por outros canais, ampliando a disseminação do material.
O episódio ocorre em meio ao aumento das críticas públicas de Zema a ministros do STF. Em declarações recentes, o ex-governador afirmou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”, o que elevou a tensão política e jurídica em torno do caso.
Investigação e implicações institucionais
O inquérito das fake news, em tramitação no STF, tem sido utilizado para apurar a disseminação de desinformação, ataques a instituições e possíveis tentativas de deslegitimar o Judiciário. A iniciativa de Gilmar Mendes se insere em um contexto mais amplo de preocupação com o uso de tecnologias de manipulação digital para influenciar o debate público.
Ao mencionar o uso de “deep fake”, o ministro reforça a interpretação de que o caso pode ultrapassar o campo da crítica política e atingir a esfera institucional, com potencial impacto sobre a credibilidade da Corte. A decisão sobre eventuais medidas, no entanto, dependerá da análise da Procuradoria-Geral da República.




