
Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, firmou acordo com a PGR e deverá prestar informações sobre operações envolvendo o Banco Master; investigação aponta transferência de recursos para fundo nos EUA ligado a advogado próximo de Eduardo Bolsonaro
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) firmou acordo de delação premiada com Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, empresário apontado como próximo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela Folha, o acordo poderá fornecer novos elementos à investigação sobre a movimentação de recursos que teria financiado o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mineiro é proprietário da Entre Investimentos e Participações, empresa que, segundo a investigação da Polícia Federal, teria sido utilizada como estrutura operacional para realizar transferências determinadas por Vorcaro. O empresário foi alvo de busca e apreensão em janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
O acordo de colaboração foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para análise e validação. A homologação será necessária para que os benefícios previstos no acordo tenham validade dentro do processo.
Um dos pontos sob investigação envolve recursos transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Segundo a investigação, os recursos transferidos teriam relação com o financiamento de “Dark Horse”, filme relacionado à trajetória política de Jair Bolsonaro. As autoridades também investigam a possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido destinada a Eduardo Bolsonaro. Até o momento, essa hipótese é tratada como suspeita e depende da análise dos documentos, depoimentos e demais elementos reunidos pela investigação.
A eventual colaboração de Mineiro pode ganhar importância porque ele estaria próximo de Vorcaro e ocupava, segundo a Polícia Federal, uma posição operacional em movimentações financeiras atribuídas ao banqueiro. A delação poderá ajudar os investigadores a identificar quem determinava os pagamentos, quais eram os destinatários finais e qual era a finalidade efetiva das transferências.
A questão central para a investigação é estabelecer o caminho completo do dinheiro: quem autorizou os repasses, de onde saíram os recursos, quem os recebeu e qual foi sua destinação final. Também será necessário esclarecer se os valores enviados ao fundo americano correspondem integralmente ao financiamento da produção cinematográfica ou se houve outras destinações.
Essa é a segunda delação premiada firmada pela PGR no âmbito do caso Banco Master. A primeira foi celebrada com João Carlos Mansur, ex-dono da gestora de fundos Reag. O material produzido a partir daquela colaboração também foi encaminhado ao ministro André Mendonça.
A homologação das delações e a análise dos documentos poderão ampliar o alcance da investigação sobre a relação entre o grupo empresarial de Vorcaro, operações financeiras realizadas por empresas ligadas a pessoas próximas ao banqueiro e os recursos destinados a projetos relacionados ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até que as investigações sejam concluídas, não há, com base nas informações disponíveis, comprovação de que Eduardo Bolsonaro tenha recebido recursos provenientes do Banco Master ou de que tenha participado de qualquer irregularidade. A hipótese está entre os pontos que, segundo a investigação, precisam ser esclarecidos.


