Em áudio Nikolas Ferreira chama Vorcaro de “lindão” e intermedia contato com ex-assessor para tratar de ativo de mineração

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A Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, ocorreu meses depois da conversa entre Nikolas e Vorcaro Foto Reprodução/Instagram

Áudio de março de 2025 mostra deputado pedindo ao banqueiro Daniel Vorcaro que recebesse seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria; meses depois, Faria apareceu relacionado a empresas investigadas na Operação Rejeito

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intermediou, em março de 2025, uma conversa entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu então advogado e ex-assessor parlamentar Thiago Rodrigues de Faria para tratar de um ativo minerário. Em áudio enviado a Vorcaro em 30 de março, um domingo, o deputado afirmou que Faria tinha uma negociação envolvendo mineração e pediu ao proprietário do Banco Master que recebesse seu contato. As mensagens mostram que Vorcaro respondeu minutos depois e, no dia seguinte, recebeu a informação de que Faria estaria disponível em Brasília.

No áudio, Nikolas chama Vorcaro de “Lindão” e afirma que gostaria de ter maior proximidade com o banqueiro. O deputado relata que seu advogado havia mencionado o nome de Vorcaro em relação a um “ativo minerário” que, segundo ele, já havia passado por uma avaliação técnica e permanecia pendente dentro da empresa. Nikolas diz que não sabia exatamente do que se tratava, mas se oferece para fazer a ponte entre os dois.

A conversa prossegue com o envio do contato de Faria. Vorcaro responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos” e, posteriormente, orienta que Thiago o procure. Em 1º de abril, Nikolas informa que o advogado estaria em Brasília e poderia ser encontrado “qualquer horário”. No dia seguinte, Vorcaro responde: “Deixa comigo”. O conteúdo disponível, entretanto, não comprova se o encontro ocorreu nem se o banqueiro efetivamente tomou alguma providência em relação ao ativo minerário.

O episódio ganha relevância diante da atividade empresarial de Faria no setor mineral. Segundo as informações reproduzidas no material, ele mantinha contrato, firmado em janeiro de 2025, entre sua sociedade individual de advocacia e a Gmais Ambiental, empresa posteriormente relacionada às investigações da Operação Rejeito. O contrato previa remuneração vinculada ao resultado de uma negociação envolvendo uma lavra de minério.

De acordo com o inquérito citado na reportagem, a negociação poderia alcançar valores entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões. O documento policial menciona ainda uma comissão destinada a parceiros envolvidos na operação, entre eles a empresa de Faria. A existência desse contrato, por si só, não demonstra irregularidade por parte do advogado, mas coloca sob escrutínio a natureza da operação mineral para a qual ele buscava interlocução.

A investigação também relacionou o contrato à mineração Topázio Imperial, detentora de direitos minerários sobre uma área onde está localizada a barragem Água Fria. Segundo o material, o grupo pretendia viabilizar a exploração ou venda da lavra, mas havia necessidade de regularização ou liberação da empresa detentora dos direitos minerários.

A Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, ocorreu meses depois da conversa entre Nikolas e Vorcaro. Segundo o material, a Polícia Federal prendeu 22 pessoas preventivamente durante a investigação de um esquema relacionado à extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A apuração policial posteriormente colocou empresas e pessoas relacionadas à negociação mineral no radar da investigação.

Procurado para responder às perguntas sobre a negociação, Faria afirmou que trabalha com mineração e que havia encaminhado um ativo minerário. Ele negou ter relação com irregularidades investigadas pela Polícia Federal e declarou que nunca foi chamado a depor no âmbito da investigação. “Essas perguntas são nada a ver”, afirmou. Faria também disse que conhece Vorcaro por serem ambos de Belo Horizonte e que o ativo mineral havia sido apresentado a diversas pessoas.

Além da negociação mineral, o áudio revela uma tentativa de aproximação política e pessoal entre Nikolas e Vorcaro. O deputado aproveita a conversa para se desculpar por críticas feitas anteriormente a um evento financiado pelo Banco Master em Londres, que contou com a presença de ministros do STJ, STF e TSE. Nikolas afirma que se arrependeu da publicação e que teria conversado previamente com Vorcaro caso soubesse que o banco estava envolvido.

A sequência dos fatos não permite concluir, com as informações disponíveis, que houve favorecimento, pagamento ou interferência ilegal. O que está documentado é que um deputado federal utilizou sua relação com um banqueiro para apresentar a ele um advogado e ex-assessor que atuava profissionalmente no setor de mineração, em uma negociação que envolvia valores potencialmente milionários. Posteriormente, empresas relacionadas à atividade de Faria passaram a aparecer em uma investigação da Polícia Federal. A eventual conexão entre esses episódios depende de documentos, depoimentos e provas que não estão disponíveis no material analisado.

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