
Moradores e familiares acusam PMs de constranger suspeitos e forjar uma cena com camisetas eleitorais; Secretaria da Segurança Pública, Ouvidoria das Polícias e Ministério da Justiça solicitaram apuração dos fatos
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
Uma abordagem da Polícia Militar na comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, na quarta-feira (21), passou a ser alvo de apurações após denúncias de que agentes teriam obrigado três suspeitos de tráfico de drogas a vestir camisetas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de serem conduzidos à delegacia. Moradores, familiares dos detidos e a deputada estadual Professora Bebel (PT) denunciaram possíveis constrangimentos e agressões durante a ação.
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A ocorrência terminou com a prisão de dois homens, de 21 e 24 anos, e a apreensão de um adolescente de 17 anos. As denúncias sobre a conduta dos policiais ainda estão sob apuração e, até o momento, não representam uma conclusão sobre a responsabilidade dos agentes envolvidos.
Polícia relata apreensão de arma e drogas
Segundo a versão apresentada pela Polícia Militar, a operação começou após uma denúncia recebida pelo telefone 190, informando que três pessoas estariam vendendo drogas na comunidade e usando camisetas alusivas à campanha eleitoral. A comunicação também indicava que um dos suspeitos estaria armado.
Durante a ação, os policiais apreenderam um revólver calibre 32 com a numeração raspada, 160 porções de cocaína e R$ 340 em dinheiro, conforme o relato da corporação. A ocorrência foi registrada no 2º Distrito Policial de Piracicaba como tráfico de drogas, porte ilegal de arma e ato infracional.
A apreensão relatada pela PM e o registro policial dizem respeito à ocorrência criminal. Já as denúncias sobre o uso das camisetas, as agressões e a conduta dos agentes constituem uma frente distinta de apuração.
Mãe denuncia agressão dentro de residência
A mãe do adolescente apreendido afirmou que o filho é usuário de drogas e negou que ele trabalhe em campanhas políticas. Ela também acusou policiais de entrar na residência da família e agredir uma filha de 14 anos durante a ocorrência.
As acusações levantam questões sobre a atuação dos agentes e o respeito aos direitos dos moradores, especialmente de uma adolescente. A confirmação dos fatos depende da coleta de depoimentos, registros da ocorrência e outros elementos que possam esclarecer a abordagem.
Órgãos públicos abrem procedimentos
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que não compactua com desvios de conduta e determinou uma apuração preliminar das denúncias.
A Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo também abriu procedimento e solicitou à Corregedoria da Polícia Militar informações sobre as providências adotadas. O órgão pediu ainda o afastamento dos policiais envolvidos das atividades operacionais enquanto as investigações estiverem em andamento.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviou ofícios à Secretaria da Segurança Pública paulista, à Corregedoria da PM e à Ouvidoria das Polícias para obter informações sobre a ocorrência e as medidas tomadas.
Em nota, a Polícia Militar declarou que tomou conhecimento das denúncias divulgadas nas redes sociais e que os fatos serão analisados pelos procedimentos internos cabíveis. A corporação afirmou atuar com legalidade, imparcialidade e respeito aos direitos fundamentais.
Defesa de policial contesta acusações
A defesa de um dos policiais envolvidos contestou as acusações e afirmou que a versão divulgada publicamente não retrata corretamente o contexto da ocorrência. Os advogados defenderam uma investigação imparcial e solicitaram a preservação do áudio da ligação feita ao telefone 190, que deu origem à operação.
O conteúdo da ligação poderá ajudar a esclarecer quais informações foram repassadas à polícia antes da abordagem e se havia referência às camisetas eleitorais. A análise deverá ser confrontada com os demais registros e depoimentos relacionados à ação.
As investigações deverão esclarecer se houve imposição do uso de camisetas de campanha, agressões ou outras irregularidades durante a abordagem. Até a conclusão dos procedimentos, as denúncias devem ser tratadas como acusações em apuração, sem antecipar responsabilidade individual dos policiais ou desconsiderar os direitos das pessoas abordadas.


