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terça-feira, agosto 4, 2026
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Desembargador do TRF-2 é preso por suspeita de vazar operação da PF

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Investigação aponta elo entre magistrado, cúpula da Alerj e alvo ligado ao Comando Vermelho

O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi preso nesta terça-feira pela Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun. Ele foi detido em sua residência, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro.

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Macário é apontado pelos investigadores como o magistrado que, em setembro, expediu o mandado de prisão contra o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, alvo central da Operação Zargun. A apuração da PF indica que informações protegidas por sigilo judicial teriam sido repassadas antes da deflagração da ação policial, permitindo a antecipação de movimentos por parte dos investigados.

Policiais prenderam Macário em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Foto redes sociais

A Operação Unha e Carne também envolve o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar, à época presidente da Assembleia Legislativa do Rio. No dia 3, Bacellar foi chamado para uma reunião com o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, ao chegar, recebeu voz de prisão. Seu celular foi apreendido e, no veículo que utilizava, os agentes encontraram R$ 90 mil em dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, Bacellar é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que resultou na prisão de TH Joias por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-parlamentar é investigado por negociar armas para o Comando Vermelho. Ele havia assumido o mandato em junho e perdeu o cargo após a prisão.

As medidas judiciais autorizadas incluíram um mandado de prisão e dez de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Além do Rio de Janeiro, houve diligências no Espírito Santo.

No caso de Bacellar, Moraes determinou não apenas a prisão, mas também seu afastamento da presidência da Alerj. Na decisão, o ministro afirmou haver “fortes indícios” de participação do parlamentar em organização criminosa, com atuação voltada à obstrução de investigações envolvendo facções criminosas e ações contra o crime organizado, inclusive com possível influência sobre o Poder Executivo estadual.

A Polícia Federal relata que, na véspera da operação, Bacellar deixou seu condomínio por volta das 21h40, com a residência posteriormente encontrada em completo desarranjo, o que levantou a suspeita de tentativa de fuga ou destruição de provas. TH Joias não estava em casa no momento do cumprimento dos mandados e só foi localizado horas depois, na residência de um amigo, também na Barra da Tijuca.

https://twitter.com/Estadao/status/2000873409702441135?s=20

Preso na primeira fase da investigação, Bacellar acabou solto após decisão do plenário da Assembleia Legislativa, mas permanece sob medidas cautelares e voltou a ser alvo de buscas nesta etapa. A prisão do desembargador aprofunda a apuração sobre a existência de uma rede de vazamentos envolvendo agentes políticos e membros do Judiciário para proteger investigados ligados ao crime organizado.

Decisão do STF

Em decisão que autorizou a prisão e o afastamento de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que os elementos apresentados pela Polícia Federal indicam atuação direta do parlamentar para obstruir investigações sobre facção criminosa e ações de combate ao crime organizado. Segundo o despacho, a conduta atribuída a Bacellar teria influência no Poder Executivo estadual e representaria risco concreto de continuidade delitiva e de interferência indevida nas apurações em curso.

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