Tercio Issami Tokano, atual assessor de confiança do ministro André Mendonça no STF e no TSE, assinou alterações em comandos da Polícia Federal em 2020, episódio que desencadeou a crise entre o governo Jair Bolsonaro e o então ministro da Justiça, Sergio Moro
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O nome de Tercio Issami Tokano, um dos principais assessores do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), voltou ao centro do debate político e jurídico após ser lembrado por sua atuação nas mudanças promovidas na Polícia Federal em 2020, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, Tokano ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública e assinou atos administrativos que alteraram o comando de superintendências da corporação, inclusive no Rio de Janeiro, em meio às investigações sobre o chamado caso das “rachadinhas”, envolvendo o então senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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As mudanças ocorreram durante um período de forte tensão entre o Palácio do Planalto e a Polícia Federal. Entre os atos assinados por Tokano estava a nomeação do delegado Tácio Muzzi de Carvalho e Carneiro para a Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, substituindo o delegado Ricardo Saadi.
Na época, a troca provocou forte repercussão política e foi um dos episódios que antecederam o pedido de demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro. Ao deixar o cargo, Moro afirmou que Jair Bolsonaro buscava interferir politicamente na Polícia Federal para obter acesso a informações e influenciar investigações. As acusações foram negadas pelo ex-presidente.
BASTIDORES
Após a saída de Moro, André Mendonça assumiu o Ministério da Justiça e levou Tokano para permanecer como seu principal auxiliar. Os dois já haviam trabalhado juntos na Advocacia-Geral da União (AGU) e mantiveram a parceria quando Mendonça foi indicado ao Supremo Tribunal Federal em 2021.
Atualmente, Tokano exerce funções estratégicas tanto no gabinete de André Mendonça no STF quanto na vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, ocupada pelo ministro. Nos bastidores do governo Bolsonaro, seu nome chegou a ser cogitado para assumir o comando da Advocacia-Geral da União e também foi citado como possível ministro da Justiça.
As alterações na Polícia Federal realizadas em 2020 foram objeto de investigações e de intenso debate institucional sobre a autonomia da corporação. O Supremo Tribunal Federal chegou a determinar a abertura de inquérito para apurar as declarações de Sergio Moro sobre suposta interferência política na PF. Ao longo da investigação, foram colhidos depoimentos de autoridades e analisados documentos relacionados às mudanças promovidas na instituição.
O caso das chamadas “rachadinhas”, citado no contexto das mudanças na superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, envolve investigações sobre supostos desvios de salários de assessores parlamentares quando Flávio Bolsonaro exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O senador sempre negou irregularidades e sua defesa sustenta que as acusações são improcedentes.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal a André Mendonça ou a Tercio Issami Tokano em relação às nomeações realizadas na Polícia Federal. Os atos administrativos assinados pelo então secretário-executivo ocorreram no exercício de suas funções no Ministério da Justiça e permanecem inseridos no contexto das investigações e dos debates institucionais sobre a autonomia da Polícia Federal durante o governo Bolsonaro.




