Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, afirma que dinheiro teria origem em devolução de salários de servidores; relatos não foram comprovados judicialmente e envolvidos negam ou não responderam às acusações
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O ex-aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, afirmou que o antigo gabinete do deputado federal na Câmara dos Deputados mantinha um cofre onde teriam sido armazenados cerca de R$ 250 mil provenientes de um suposto esquema de devolução de parte dos salários de servidores, prática conhecida como “rachadinha”. As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias.
Segundo Junqueira, o dinheiro teria sido retirado posteriormente por Eduardo Bolsonaro e utilizado como entrada na compra de um apartamento no Rio de Janeiro. As acusações, porém, não foram confirmadas por decisão judicial ou investigação que tenha concluído pela existência do suposto esquema.
O relato retoma uma denúncia feita anteriormente por Junqueira, que já havia mencionado a existência do cofre em 2025, durante participação na série documental em áudio Quem matou a política?, produzida pela Audible em parceria com a Rádio Escafandro e a Rádio Guarda-Chuva.
RELATO SOBRE O GABINETE
De acordo com Junqueira, ele se aproximou de Eduardo Bolsonaro em 2017, após interações pelas redes sociais. Ele afirma que passou a produzir conteúdos de apoio à família Bolsonaro e posteriormente atuou como motorista durante a campanha eleitoral de 2018.
Após a eleição, Junqueira relata que teria sido indicado por Eduardo Bolsonaro para trabalhar no gabinete do então deputado estadual Gil Diniz (PL), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O ex-aliado afirma que, durante reuniões de organização do gabinete, teria ouvido informações sobre um suposto mecanismo de recolhimento de parte dos salários de funcionários do gabinete de Eduardo Bolsonaro.
Em entrevista ao ICL Notícias, Junqueira declarou:
“Duda [Eduardo Bolsonaro] tinha dois funcionários no gabinete que ganhavam cheio e devolviam a metade. E nós tínhamos um cofre no gabinete e pegávamos essa metade e colocava no cofre e juntou R$ 250 mil.”
Segundo ele, o dinheiro teria sido retirado posteriormente para ser usado na compra de um imóvel.
A reportagem informou que procurou Eduardo Bolsonaro, Sonaira Fernandes e Eric de Castro Roma, citado por Junqueira como pessoa responsável pela administração dos valores, mas não recebeu manifestação.
IMÓVEIS E PAGAMENTOS EM DINHEIRO
As declarações também reacenderam discussões sobre compras de imóveis feitas por Eduardo Bolsonaro.
Reportagens publicadas anteriormente apontaram que o então deputado utilizou valores em espécie em negociações imobiliárias. Em 2020, uma reportagem do jornal O Globo informou que Eduardo Bolsonaro teria usado R$ 150 mil em dinheiro vivo na aquisição de dois apartamentos no Rio de Janeiro.
Um dos imóveis, localizado em Botafogo, teria sido comprado em 2016 por R$ 1 milhão, com registro de pagamento de R$ 100 mil em espécie.
Outro apartamento, em Copacabana, adquirido em 2011, teve escritura indicando pagamento de R$ 50 mil em dinheiro vivo.
Em 2022, Eduardo Bolsonaro afirmou que os pagamentos eram compatíveis com seus rendimentos e negou irregularidades.
A Procuradoria-Geral da República chegou a abrir uma apuração preliminar sobre as transações imobiliárias, mas o procedimento foi arquivado sem apresentação de denúncia.
DENÚNCIA ANTERIOR ENVOLVENDO GIL DINIZ
Junqueira também já havia apresentado denúncia contra Gil Diniz em 2019, alegando a existência de devolução de salários por servidores do gabinete.
O Ministério Público de São Paulo analisou o caso e arquivou o procedimento em 2020. Na decisão, o promotor Ricardo Manuel Castro apontou a existência de registros de saques em espécie feitos por assessores próximos às datas de pagamento, mas concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar que os valores eram destinados ao parlamentar.
Gil Diniz negou envolvimento e afirmou ao ICL Notícias desconhecer a existência de um cofre no gabinete de Eduardo Bolsonaro. Ele também não respondeu aos questionamentos sobre o suposto recebimento de dinheiro em espécie durante a campanha eleitoral de 2018, segundo a reportagem.
SITUAÇÃO JURÍDICA
Até o momento, as declarações de Alexandre Junqueira representam acusações feitas por um ex-aliado, sem comprovação judicial definitiva.
A prática de “rachadinha” é investigada em diferentes casos envolvendo agentes públicos quando há suspeita de apropriação de parte dos salários de assessores. Para caracterização de crime, são necessárias provas sobre a origem dos recursos, participação dos envolvidos e destino do dinheiro.
No caso citado, não há condenação de Eduardo Bolsonaro relacionada às acusações feitas por Junqueira.
Eduardo Bolsonaro atualmente está fora do mandato parlamentar e vive nos Estados Unidos. A situação política e jurídica dele envolve outros processos independentes, que não possuem relação direta comprovada com as acusações apresentadas por Junqueira sobre suposta devolução de salários.




