Registros oficiais do Congresso americano confirmam projetos apresentados por Maria Elvira Salazar e Darrell Issa; contribuição atribuída a Paulo Figueiredo à estrutura eleitoral da deputada é apontada em registros da campanha e levanta questionamentos sobre a proximidade entre financiamento político e articulação contra autoridades brasileiras
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Uma articulação política envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos ganhou dimensão internacional a partir de 2024 e passou a ter como um dos principais alvos o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No centro dessa movimentação aparecem o deputado Eduardo Bolsonaro, o jornalista Paulo Figueiredo e a deputada republicana americana Maria Elvira Salazar, da Flórida.
Documentos oficiais do Congresso dos Estados Unidos confirmam que Salazar participou da apresentação de uma proposta destinada a impedir a entrada ou permitir a deportação de autoridades estrangeiras acusadas de praticar atos que, se cometidos por autoridades americanas dentro dos Estados Unidos, violariam a Primeira Emenda da Constituição americana.
O projeto foi apresentado originalmente em 16 de setembro de 2024, sob o número H.R. 9605, pelo deputado republicano Darrell Issa, tendo Salazar como coautora. A proposta recebeu o nome de No Censors on our Shores Act.
A documentação oficial do Congresso americano mostra que o projeto foi encaminhado à Comissão Judiciária e, em 19 de setembro de 2024, foi aprovado pela comissão para avançar no processo legislativo, por 16 votos a 9.
A proposta não mencionava Alexandre de Moraes nominalmente no texto legislativo. Seu alcance, entretanto, era direcionado a autoridades estrangeiras acusadas de praticar determinadas ações contra cidadãos americanos.
A contribuição eleitoral
Uma das questões centrais da apuração está na contribuição eleitoral atribuída a Paulo Figueiredo. Segundo os registros eleitorais americanos citados na investigação da Agência Pública, Figueiredo teria contribuído com US$ 10 mil, em agosto de 2024, para uma estrutura de arrecadação ligada à campanha de Maria Elvira Salazar. O valor teria sido posteriormente distribuído entre comitês relacionados à campanha.
Nos Estados Unidos, contribuições eleitorais são registradas publicamente dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral americana. O ponto jornalístico está na possibilidade de reconstruir a sequência dos acontecimentos e verificar se houve alguma relação entre o financiamento, os contatos políticos e as iniciativas legislativas posteriores.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo
A atuação de Maria Elvira Salazar também precisa ser analisada dentro da relação política que ela manteve com integrantes da oposição brasileira. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo passaram a participar de iniciativas nos Estados Unidos relacionadas às acusações de censura e perseguição política que fazem contra autoridades brasileiras. Essa articulação ganhou maior importância quando setores do governo americano passaram a adotar medidas contra autoridades brasileiras.
A sanção contra Alexandre de Moraes
A disputa atingiu seu ponto mais alto em 30 de julho de 2025, quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou oficialmente a inclusão de Alexandre de Moraes na lista de pessoas sancionadas pela OFAC. O governo americano afirmou que Moraes teria utilizado sua posição para autorizar detenções preventivas consideradas arbitrárias e restringir liberdade de expressão. A medida foi tomada com base na Ordem Executiva 13818, relacionada à legislação Global Magnitsky. O comunicado americano também mencionou diretamente processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que decisões de Moraes haviam atingido cidadãos e empresas americanas.
A pressão não terminou na sanção
A medida contra Moraes foi precedida por uma série de manifestações de parlamentares americanos ligados ao Partido Republicano sobre o funcionamento das instituições brasileiras. Nesse contexto, Maria Elvira Salazar passou a ocupar posição de destaque. A parlamentar tornou-se uma das vozes americanas mais críticas à atuação do STF brasileiro e participou de iniciativas relacionadas à liberdade de expressão e às decisões judiciais envolvendo plataformas digitais. A atuação de Salazar, portanto, não começou com a sanção de Moraes em 2025.



