22.6 C
Campinas
sábado, julho 18, 2026
spot_img

Gaeco prende ex-chefe da Dise de Campinas e advogado em operação contra suposta infiltração do PCC

Data:

Saiba quem são os presos em operação do MP que investiga vazamento de informações sigilosas, extorsão e ligação com plano de atentado contra promotor de Justiça em Campinas

Maurício Aparecido de Oliveira, policial civil que já chefiou a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e atualmente atuava no 1º Distrito Policial do município. Foto Divulgação BAEP

<OUÇA A REPORTAGEM>

CAMPINAS – Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, resultou na prisão temporária de três pessoas investigadas por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As apurações indicam que o grupo teria atuado na obtenção de informações sigilosas dentro de órgãos públicos e estaria relacionado ao planejamento de um atentado contra um promotor de Justiça de Campinas.

As prisões foram realizadas nesta terça-feira (9) nas cidades de Campinas e Cardoso. Além dos mandados de prisão, os promotores cumpriram dez mandados de busca e apreensão, sendo nove em Campinas e um em Cardoso. A investigação é um desdobramento de operações anteriores que apuram a atuação da facção criminosa e possíveis colaboradores infiltrados em estruturas ligadas ao sistema de Justiça e à segurança pública.

Segundo o Ministério Público, entre os presos está Maurício Aparecido de Oliveira, policial civil que já comandou a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e atualmente atuava no 1º Distrito Policial da cidade. De acordo com as investigações, imagens analisadas pelo Gaeco mostram Maurício reunido com um homem apontado como um dos responsáveis pela execução de um plano para assassinar um promotor do grupo especializado. O encontro teria ocorrido poucos dias antes da deflagração da operação que frustrou o atentado, em agosto de 2025.

Os investigadores apuram se informações sigilosas sobre a investigação foram repassadas a integrantes da organização criminosa. Até o momento, a defesa do policial não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.

Outro alvo da operação é um advogado que, à época dos fatos investigados, atuava como estagiário em uma promotoria criminal do Ministério Público em Campinas. Segundo o Gaeco, ele teria utilizado seu acesso aos sistemas internos da instituição para identificar investigados com elevado poder financeiro e, posteriormente, exigir pagamentos em troca de uma suposta proteção contra ações do Ministério Público.

As suspeitas ganharam força após a análise do celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”. Nas mensagens encontradas pelos investigadores aparecem referências à cobrança de R$ 500 mil para impedir que informações sobre ele chegassem ao conhecimento do Gaeco. A partir desse material, os promotores identificaram a possível participação do ex-estagiário no esquema.

Ainda de acordo com a investigação, ele deixou a promotoria poucas semanas após operações que tiveram “Dragão” como alvo e passou a trabalhar em um escritório de advocacia da região de Campinas. O endereço também foi alvo de buscas durante a operação. O nome do advogado não foi divulgado oficialmente.

O terceiro preso é um ex-policial civil suspeito de colaborar com a obtenção e utilização das informações sigilosas. Conforme o Ministério Público, ele teria auxiliado o ex-estagiário nas atividades investigadas.

O ex-agente possui antecedentes criminais relacionados à sua atuação na corporação. Em 2008, foi preso e posteriormente expulso da Polícia Civil após condenação por extorsão. Segundo a denúncia apresentada na época, ele e outros policiais teriam exigido dinheiro de um suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas para libertar uma mulher detida durante uma investigação.

As investigações prosseguem para identificar a extensão da atuação do grupo, o eventual compartilhamento de informações sigilosas com integrantes do PCC e a existência de outros envolvidos. O Ministério Público também busca esclarecer se houve comprometimento de investigações em andamento e quais danos podem ter sido causados pela suposta infiltração em órgãos públicos estratégicos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Comissão Processante tem acesso negado a documentos do MP em investigação contra Vini Oliveira

Gaeco informa à Câmara de Campinas que procedimento tramita...

Polícia Civil ouve familiares de suspeitos mortos em ação no Beco Mokarzel e amplia investigação

Depoimentos foram prestados no 12º Distrito Policial e são...

Morador perde dedos da mão em acidente com caminhão no San Conrado; Polícia Civil apura o caso

Motorista deixou o local sem prestar socorro, segundo a...

Operação Distrato cumpre mandado de busca em mansão no San Conrado por esquema de fraude no ICMS

Imóvel foi um dos principais alvos da operação que...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade