Líder trabalhista permanecerá no posto até a escolha do sucessor, prevista para ocorrer antes da retomada dos trabalhos do Parlamento em setembro

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o comando do governo britânico. A decisão ocorre após meses de pressão interna no Partido Trabalhista e abre caminho para uma disputa pela liderança da legenda, que definirá automaticamente o próximo chefe de governo do país.
Em pronunciamento em frente à residência oficial em Downing Street, Starmer afirmou que conversou com o rei Charles III e que pretende conduzir uma transição organizada. Segundo ele, o processo para escolha do novo líder trabalhista deverá começar em 9 de julho.
“Permanecerei no cargo até o término da disputa e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada. Darei total apoio ao meu sucessor”, declarou.
A saída de Starmer ocorre em meio ao aumento das críticas dentro do Partido Trabalhista. Nos últimos meses, parlamentares e dirigentes da legenda passaram a questionar sua capacidade de conduzir o partido até a próxima eleição geral.
O desgaste se intensificou após a vitória de Andy Burnham em uma eleição suplementar para o Parlamento. O resultado fortaleceu o nome do político como potencial candidato à liderança trabalhista e alimentou movimentos internos por uma mudança no comando do governo.
Ao anunciar a renúncia, Starmer destacou realizações de sua gestão e afirmou que deixa um país em melhores condições do que encontrou ao assumir o cargo. Em tom pessoal, também disse que pretende dedicar mais tempo à família.
“Quero ser o melhor marido possível para minha esposa e o melhor pai para meus filhos. A questão que meu partido faz agora é se sou a melhor pessoa para conduzir a próxima eleição geral. Ouvi a resposta do meu partido parlamentar e a aceito com humildade”, afirmou.
Pelas regras do sistema político britânico, o primeiro-ministro não é eleito diretamente pela população. O cargo é ocupado pelo líder do partido que detém maioria na Câmara dos Comuns.
Para disputar a liderança trabalhista, os candidatos precisarão obter apoio de pelo menos 20% dos parlamentares da legenda. Caso apenas um nome alcance o número mínimo de apoios, ele será declarado vencedor automaticamente. Se houver mais de um candidato habilitado, a escolha será submetida aos filiados e membros do partido.
Com a saída de Starmer, o Reino Unido caminha para ter seu sétimo primeiro-ministro em uma década, em mais um capítulo do período de instabilidade política vivido pelo país nos últimos anos.




