
Instituição digital com 3 milhões de clientes sofre intervenção por problemas de solvência; empresários e moradores relatam bloqueio de recursos e perdas
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A liquidação do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai deixou diversos brasileiros sem acesso a recursos financeiros utilizados para despesas pessoais e capital de giro de empresas. A instituição digital contava com cerca de 3 milhões de clientes — volume equivalente a aproximadamente 60% da população adulta do país vizinho.
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A medida extrema foi adotada pelo autoridade monetária paraguaia após a constatação de que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do exigido pela legislação local. O comprometimento das finanças ocorreu devido à concessão de empréstimos direcionados a empresas vinculadas ao próprio grupo controlador.
Impacto nos Clientes e Estratégias na Fronteira
- Empresas e Capital de Giro: O empresário Pedro Treméa, do ramo de refrigeração em Ciudad del Este, mantinha no Ueno valores acima da margem de garantia legal. Contudo, a prática de diversificar contas para facilitar operações via alias (chave de identificação local) atenuou o prejuízo operacional da firma.
- Pequenos Negócios e Uso de Espécie: Em Presidente Franco, o proprietário de oficina Marcelo Bernard teve cerca de 5 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 4,5 mil) retidos. Segundo o comerciante, a preferência pelo pagamento em dinheiro vivo no Paraguai reduziu o impacto imediato em seu fluxo de caixa.
- Perdas Pessoais: Moradores e trabalhadores da região de fronteira, como a cambista Dalma Morinigo, relataram o desaparecimento dos saldos das telas dos aplicativos após o anúncio da intervenção. A trabalhadora mantinha cerca de R$ 7 mil na instituição destinados às férias de fim de ano.
Cobertura do Fundo de Garantia e Resposta Oficial
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai prevê a cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por cliente em cada instituição financeira — valor correspondente a cerca de R$ 200 mil.
Diante do descontentamento popular e das cobranças por punições aos gestores do banco, o presidente paraguaio Santiago Peña promulgou uma legislação em caráter de urgência para acelerar o processo de ressarcimento dos correntistas atingidos, assegurando que eventuais irregularidades serão apuradas pela Justiça.


